O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, considerou, este sábado, que Luís Neves tem feito “um trabalho de grande qualidade e de sintonia com a visão que o Governo tem” em termos de política de segurança, ao mesmo tempo que frisou que, na sua ótica, é importante para os portugueses “saber que têm como governante alguém que sabe muito [bem] o que está a fazer”.
“É uma pessoa com quem nós trabalhamos há praticamente dois anos que, ao longo deste tempo, [tem feito] um trabalho de grande qualidade e de sintonia com a visão que o Governo tem da importância do reforço da política de segurança, da proximidade, da atividade e da presença das forças de segurança nas ruas, junto das pessoas”, começou por descrever Leitão Amaro, quando questionado sobre o nome apontado para assumir a pasta da Administração Interna.
O governante reconheceu que “Portugal é um dos países mais seguros do mundo”, mas ressalvou que “é preciso fazer para que continue a ser”. Nessa linha, “é importante a proximidade” no combate ao crime, já que “algumas estatísticas apontam para o crescimento em algumas áreas e em algumas partes do território”, nas quais “tem de ser mais atacado”.
De notar que, no início do ano passado, Luís Neves sublinhou que “a perceção de insegurança” é gerada pelo aumento da desinformação e ameaças híbridas, já que os números de criminalidade violenta desmentem essa ideia. O novo tutelar da pasta da Administração Interna vincou, inclusive, que o crime mais comum é o furto simples e qualificado, seguido da violência doméstica. O dirigente da Polícia Judiciária (PJ) recusou, de igual modo, que os estrangeiros sejam responsáveis por níveis relevantes de criminalidade.
Confrontado com a falta de experiência de Luís Neves a nível político, Leitão Amaro foi taxativo: “Um Governo é feito e deve ser feito de pessoas com diferentes competências. O importante é que saiba o que é que está a fazer, e o ministro da Administração Interna que temos a tomar posse na próxima segunda-feira, tal como as duas ministras anteriores, conhecem profundamente o Sistema de Segurança Interna português; no caso dele, a partir da liderança de uma das forças mais importantes em Portugal.”
O responsável salientou que o Executivo de Luís Montenegro conta “com todo o seu conhecimento”, e deu conta de que, a seu ver, é importante para os portugueses “saber que têm como governante alguém que sabe muito [bem] o que está a fazer e a área que vai governar”.
“Num espírito de cumprimento do programa do Governo, de alinhamento com as prioridades do Governo, estamos aqui para entregar a nossa missão e fazer com que os portugueses sintam, na prática, no dia a dia, que as forças de segurança têm uma grande qualidade”, acrescentou.
Note-se que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aceitou a proposta de Montenegro de nomear Luís Neves para as funções de ministro da Administração Interna, em substituição de Maria Lúcia Amaral, que se demitiu das funções no dia 10 de fevereiro.
“A posse terá lugar na próxima segunda-feira, 23 de fevereiro, pelas 10h00, no Palácio de Belém”, lê-se na nota divulgada pela Presidência da República.
Licenciado em Direito, Luís Neves é diretor nacional da PJ desde 2018, onde ingressou em 1995, após uma breve passagem pela advocacia.
Na PJ, o novo governante manteve-se ligado à investigação criminal, em particular na esfera do crime violento e organizado, terrorismo e todas as formas de extremismo violento, rapto, sequestro, tomada de reféns, assalto à mão armada, tráfico de armas, tráfico de seres humanos, crimes cometidos com recurso a engenhos explosivos e crimes contra órgãos de soberania.
Antes, foi diretor da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) e da extinta Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB).

