Economia

Israel e Líbano aceitam iniciar negociações diretas para um acordo de paz

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Médio Oriente

Israel e Líbano concordaram esta terça-feira iniciar conversações diretas para uma paz duradoura, após uma primeira reunião em Washington entre representantes dos dois países, informou o Departamento de Estado norte-americano.

Jacquelyn Martin

Segundo um comunicado divulgado no final do encontro entre os embaixadores em Washington de Israel, Yechiel Leiter, e do Líbano, Nada Hamadeh Moawad, “as partes concordaram iniciar negociações diretas em data e local a acordar mutuamente”.

A diplomacia de Washington saudou as “discussões produtivas” dos dois lados sobre “os passos a tomar para iniciar negociações diretas entre Israel e o Líbano”, onde decorre há mais de um mês uma ofensiva militar israelita contra o grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah, que não foi convidado para a reunião.

Antes das primeiras conversações, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, exigiu na segunda-feira o cancelamento do encontro, defendendo que este diálogo constitui uma capitulação de Beirute.

No comunicado, o Departamento de Estado faz uma referência a um eventual cessar-fogo, observando apenas que qualquer acordo “deve ser alcançado entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não através de qualquer via paralela” em alusão às conversações sobre o conflito no Irão, aliado do Hezbollah.

O encontro desta terça-feira, o primeiro desde 1993 neste nível de representação entre os dois países, que não têm relações diplomáticas, decorreu sob mediação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e contou também com as presenças dos embaixadores dos Estados Unidos no Líbano, Michel Issa, e na ONU, Mike Waltz, e ainda do conselheiro Michael Needham.

“Os Estados Unidos expressaram a sua esperança de que as negociações possam ir além da estrutura do acordo de 2024 e conduzir a um acordo de paz abrangente”, assinalou o comunicado da diplomacia norte-americana, referindo-se à trégua que vigorava entre Israel e o Hezbollah e que nunca foi verdadeiramente respeitada.

Nesse sentido, é observado que Washington reafirmou o seu “apoio ao direito de Israel de se defender contra os ataques implacáveis do Hezbollah“, bem como ao Líbano nos seus esforços para restaurar o monopólio estatal da força e “pôr fim à influência opressiva do Irão”.

De acordo com o comunicado, a parte libanesa reforçou “a necessidade urgente da plena implementação” da trégua de 2024, destinada a interromper mais de um ano de confrontos diretos entre Israel e o Hezbollah, no seguimento do conflito na Faixa de Gaza.

Além disso, Beirute apelou para “medidas concretas para enfrentar e aliviar a grave crise humanitária” que atinge o país desde o início da atual guerra, que já provocou 2.089 mortos, entre as quais 166 crianças, e mais de um milhão de deslocados.

Quanto a Israel, a sua delegação manifestou apoio ao desmantelamento e desarmamento de “todos os grupos terroristas não estatais” no Líbano, aludindo ao Hezbollah, e “o seu empenho em trabalhar com o Governo libanês para alcançar este objetivo e garantir a segurança dos povos de ambos os países”.

Os Estados Unidos salientaram ainda que as negociações entre os dois países “têm o potencial de desbloquear uma assistência significativa para a reconstrução e a recuperação económica do Líbano”, além de expandir as oportunidades de investimento para ambos.

No final da reunião, o embaixador israelita em Washington elogiou o “excelente diálogo” com a homóloga libanesa, e comentou que Israel e o Líbano “descobriram hoje que estão do mesmo lado” no combate à influência do Hezbollah.

“Esta é a conclusão mais positiva que podemos tirar deste encontro: estamos ambos unidos no desejo de libertar o Líbano da ocupação, de uma potência dominada pelo Irão e chamada Hezbollah”, afirmou Yechiel Leiter.

Mais contida, a representante do Líbano nos Estados Unidos insistiu na necessidade de um cessar-fogo e de responder à crise humanitária.

“A reunião preparatória foi construtiva”, observou a diplomata, acrescentando que, durante o encontro, pediu condições que levem ao regresso dos deslocados internos às suas casas e sublinhou “a plena soberania do Estado libanês sobre todo o território libanês”.



SIC Noticias

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