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Amêijoa contaminada no Tejo? Autoridades afastam cenário, mas investigação continua


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O diretor-geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos disse esta terça-feira que se têm verificado ocorrências de contaminação em Portugal, e noutros países, resultantes da ingestão da amêijoa japonesa capturada no estuário do Rio Tejo.

CANVA

António Coelho Cândido, vice-almirante e diretor-geral da DGRM (Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos), falava numa audição parlamentar requerida pelo PS “sobre o escândalo das amêijoas contaminadas do estuário do Tejo” e pelo PSD “relativa à situação da apanha ilegal de amêijoa-japonesa no estuário do Tejo”.

Segundo o responsável, a apanha da amêijoa japonesa no estuário do Rio Tejo desenvolveu-se ao longo dos últimos anos num contexto marcado por fragilidades estruturais significativas, quer ao nível sanitário, quer nos domínios jurídico e operacional.

IPMA afasta ligação com intoxicações

O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) disse que “não está demonstrado que os casos de intoxicações que alegadamente ocorreram no estrangeiro” estejam relacionados com a amêijoa apanhada na zona legalmente explorável do rio Tejo.

José Guerreiro falava esta terça-feira numa audição parlamentar requerida pelo PS “sobre o escândalo das amêijoas contaminadas do estuário do Tejo” e pelo PSD “relativo à situação da apanha ilegal de amêijoa-japonesa no estuário do Tejo”.

Segundo o responsável, o IPMA é o Laboratório Nacional de Referência para os Recursos Vivos Marinhos e compete-lhe identificar as zonas que são de exploração e monitorizar e também declarar se continuam ou não em condições de serem exploradas.

“Em nenhum dos casos foi confirmada de forma explícita”

José Guerreiro adiantou que solicitou um relatório à Direção-Geral de Saúde sobre as alegadas contaminações e que, entre o dia 1 de janeiro de 2023 e julho de 2025, foram notificados sete casos confirmados por Ecoli mas que “em nenhum dos casos foi confirmada de forma explícita a ingestão de bivalves, nomeadamente a ameijoa japónica do estuário do Tejo.

“Portanto, as notícias que vieram a lume sobre Portugal são infundadas, não têm fundamento na Autoridade Nacional de Saúde e está por provar a relação de causa e efeito entre uma coisa que é necessário explicar muito bem”, disse adiantando que uma coisa são as amêijoas exploradas nas zonas devidamente licenciadas, ou seja, nas zonas identificadas como exploração e outra coisa é a pesca ilegal.

Adiantou que existem duas zonas no estuário do Tejo, uma a montante da Ponte Vasco da Gama, outra a jusante e que a zona que é ilegalmente explorável é esta última e mesmo esta não pode ser consumida diretamente, mas apenas após depuração.

O presidente do IPMA destacou que é importante separar “aquilo que é a pesca legal e devidamente licenciada no estuário do Tejo, daquilo que tem sido alegadamente a pesca ilegal e a não licenciada”.

José Guerreiro adiantou que o IPMA realiza análises semanais, quinzenais e mensais e que o sistema funciona, “que nunca esteve em risco” e que não existe “qualquer registo de não conformidade grave no sistema de monitorização”.



SIC Noticias

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