O rei Carlos III discursará perante as duas câmaras do Congresso durante a sua visita aos Estados Unidos no final de abril, na segunda vez que um monarca britânico discursa perante os congressistas, anunciou o Palácio de Buckingham.

Justin Tallis
O discurso está agendado para 28 de abril, segundo o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson.
A vez anterior que um monarca britânico discursou perante o Congresso foi em 1991, quando a Rainha Isabel II, mãe de Carlos, fez um discurso no Capitólio.
250 anos da independência dos EUA
A visita de Estado de Carlos III, entre 27 e 30 de abril para assinalar o 250.º aniversário da independência norte-americana, acontece no meio das tensões entre Washington e Londres causadas pela guerra no Médio Oriente.
Alguns políticos do Reino Unido chegaram mesmo a pedir o cancelamento da deslocação oficial.
“Esta visita será uma oportunidade para destacar a história partilhada das nossas duas nações, a amplitude da nossa relação e os laços profundos que unem os nossos povos”, afirmou na terça-feira o Palácio de Buckingham, em comunicado.
Críticas de Trump
Embora os dois países partilhem uma relação historicamente “especial”, o Presidente norte-americano, Donald Trump, intensificou recentemente as suas críticas ao seu aliado britânico, particularmente ao primeiro-ministro Keir Starmer, acusando-o de não apoiar a ofensiva EUA-Israel contra o Irão.
O líder trabalhista defendeu, no entanto, o ‘timing’ da visita real. “A relação entre os nossos dois países é muito importante em muitos aspetos e, muitas vezes, graças aos laços que forja, a monarquia consegue ultrapassar uma situação como esta”, disse Keir Starmer, na segunda-feira, no parlamento.
Trump, conhecido pela sua admiração pela família real britânica, já fez duas visitas de Estado ao Reino Unido – a mais recente das quais em setembro. Em março, manifestou a sua satisfação pela “maravilhosa” perspetiva de receber o rei.
Caso Epstein paira no ar
A visita acontece também numa altura em que Carlos III enfrenta as consequências do caso Jeffrey Epstein, que levou, em fevereiro, à detenção do seu irmão, Andrew Mountbatten-Windsor, suspeito de passar informações confidenciais ao criminoso sexual e financeiro norte-americano, que morreu em 2019.
A família de Virginia Giuffre, a principal acusadora de Jeffrey Epstein, que morreu em abril de 2025, pediu ao rei que durante a sua visita se encontrasse com as vítimas do agressor sexual condenado, mas a programação divulgada pelo Palácio de Buckingham não menciona tal encontro.
Uma fonte da realeza disse à agência AP que tal encontro era simplesmente “impossível”, argumentando que poderia “prejudicar as investigações em curso ou o devido processo legal”.
Segundo o programa disponibilizado pelo Palácio de Buckingham, o rei Carlos e a rainha Camila serão recebidos em Washington por Donald e Melania Trump numa receção privada para chá, seguida de uma festa no jardim.
A visita de Estado incluirá ainda uma cerimónia militar, um encontro entre Carlos III e o Presidente norte-americano e um jantar de gala na Casa Branca.
Carlos e Camila viajarão depois para Nova Iorque, onde prestarão homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, e depois para a Virgínia. De seguida, visitarão as Bermudas, um território ultramarino britânico, até 02 de maio.
