A Polícia Judiciária (PJ) do Porto estima que metade da despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com a comparticipação do Ozempic (semaglutido), medicamento para o tratamento da diabetes tipo 2, destina-se a fins de emagrecimento e não devido à doença crónica. Segundo o Correio da Manhã (CM), esta é possivelmente uma fraude que custou mais de 250 milhões de euros ao Estado português entre 2020 e 2025.
Steve Christo – Corbis
Nesse período de cinco anos, o Estado gastou cerca de 505 milhões de euros na comparticipação deste tipo de medicamentos, no caso, a despesa com o Ozempic aumentou 285%, avança o Correio da Manhã. A PJ estima que 50% da despesa foi para fins de perda de peso.
Segundo valores apurados pelo CM junto de fonte conhecedora, a despesa do SNS com a comparticipação desse tipo de fármacos subiu significativamente.
Em 2020, a despesa era de 23,2 milhões de euros. Em 2021, subiu para 48,7 milhões de euros. Em 2022, a tendência de aumento continuou e a despesa atingiu os 72,1 milhões e os 95,4 milhões de euros em 2023.
Em 2024 e 2025, a despesa do Estado com esses medicamentos foi de 118 milhões de euros e 135,5 milhões de euros, respetivamente.
Cada embalagem do medicamento custa entre 110 e 115 euros. Em fevereiro deste ano, o Ozempic passou a ser comparticipado pelo SNS para adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou alto risco cardiovascular. Com comparticipação, o valor de uma embalagem é reduzido em 90%, ficando a pouco mais de 10 euros.
Ozempic para emagrecer
Porém, nos últimos tempos, a procura pelo medicamento disparou um pouco por todo o mundo. A eficácia do medicamento na perda de peso e os baixos riscos associados levam muitos médicos a receitar o Ozempic também a não diabéticos que querem ou precisam de emagrecer.
A procura foi de tal maneira desenfreada que várias farmácias ficaram sem stock e vários doentes tiveram de ficar sem tratamento.
Ainda de acordo com a notícia do Correio da Manhã, no ano passado, a PJ do Porto deteve uma endocrinologista suspeita de lesar o Estado num valor superior a 3 milhões de euros ao prescrever o medicamento a utentes não diabéticos.
