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A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), Nazaré da Costa Cabral, disse esta quarta-feira, que as afirmações do ministro das Finanças sobre a instituição não foram justas nem corretas e que foram até ofensivas, defendendo que não faz projeções políticas.
ANTÃNIO PEDRO SANTOS/Lusa
Na conferência de imprensa de apresentação das previsões económicas, a responsável defendeu que não se fazem “projeções políticas no CFP”.
O trabalho é um “trabalho técnico e é muito sério e não pode ser questionado dessa maneira em lado nenhum“, disse, acrescentando que está no CFP há sete anos e nunca interferiu nos resultados das projeções nem no trabalho técnico da equipa.
“Essas afirmações no que diz respeito ao CFP não foram afirmações justas, corretas e no que diz respeito à presidente foram afirmações até um bocadinho ofensivas em relação à minha pessoa”, assumiu hoje Nazaré da Costa Cabral.
A presidente do CFP salientou que a instituição tem “sempre o cuidado de dizer que são projeções em políticas invariantes” e assumiu a divergência, que se prendeu essencialmente com o comportamento da receita fiscal, nomeadamente o IVA.
A responsável destacou ainda que o próprio ministro das Finanças apresentou uma estimativa de um excedente de 0,3% em outubro, depois da revisão do INE, “com um conhecimento muito mais fino inclusive acesso a microdados do comportamento da receita fiscal, informação muito mais fina do comportamento da receita fiscal e da despesa”.
“Sempre acreditei que o ministro das Finanças respeita a independência do CFP e quero continuar a acreditar”, disse, acrescentando que esta é uma fase sensível da instituição, porque vai mudar de liderança, tendo chegado ao fim o seu mandato.
A responsável sublinhou que esta é uma instituição que “está sempre sob escrutínio, com um nível de exposição enorme” e por isso “quando há uma mudança na liderança duma instituição como estas precisa de tranquilidade institucional”, pelo que não podem existir tentativas de “pôr em causa a credibilidade de uma instituição destas”.
