O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, reuniu-se esta sexta-feira, 17 de abril, com o o homólogo libanês, Youssef Raggi, em Beirute.
No final do encontro, em declarações à SIC Notícias, defendeu que “este governo libanês é, sem dúvida, um governo quer trazer a paz para o Líbano e teve uma política muito corajosa no sentido de ilegalizar completamente o Hezbollah como movimento terrorista tentando nessa altura evitar que houvesse uma incursão e ataques vindos de Israel”.
No entanto, como realçou o governante português, “isso não foi possível” e a situação “deteriorou-se imenso”.
“Os ataques da semana passada tiveram imensas repercussões entre os civis, houve centenas de mortos. E, portanto, é fundamental prestar solidariedade ao povo libanês”, salientou.
A presença de Rangel no Líbano é também para “encorajar” o país a “continuar as reformas que tem feito, que são no sentido de desarmar o Hamas”. “Para isso é preciso dar poder e força ao exército, às forças armadas libanesas, à força das Nações Unidas presente no Líbano. É preciso apoiar e apelar a que, em primeiro lugar que o Hezbollah cesse todos os ataques a Israel, que de facto são ataques graves e, por outro lado, que Israel não responda desta forma porque isto põe em causa qualquer perspetiva de paz”, defendeu o ministro português.
O encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros libanês, Youssef Raggi, em Beirute, serviu, resumidamente, para o governo português “saudar o cessar-fogo e encorajar todas as partes a respeitar o cessar-fogo”, o que é, segundo Rangel, “fundamental para a população libanesa, onde já há mais de um milhão de deslocados” e não só. “É fundamental para o processo negocial, para todo o conflito do Médio oriente”, lembrou.
Paulo Rangel anunciou ainda que Portugal vai dar um apoio financeiro ao Líbano, que “ainda não está canalizado, mas já foi feito através da UNESCO, a pensar nas crianças deslocadas nesta altura. Que estão sem aulas e precisam de se ocupar”.
Recorde-se que o ministro já tinha anunciado, no mês passado, que Portugal faria uma contribuição extraordinária à UNESCO para apoiar a educação no país em guerra.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quinta-feira que o homólogo libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acordaram um cessar-fogo de 10 dias, em vigor a partir das 22:00 de quinta-feira (hora de Lisboa), e que o entendimento vincula o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.
A atual escalada entre Israel e o Líbano começou a 2 de março, dois dias depois do início dos ataques de Israel e EUA contra o Irão.
O Hezbollah lançou rockets contra o norte de Israel, rompendo uma trégua anterior e levando este país a responder imediatamente com ataques aéreos contra o território libanês, incluindo Beirute.
Sobre o conflito, o Governo português tem condenado reiteradamente os ataques do Hezbollah e os de Israel, apelando a uma total cessação das hostilidades, que considera benéfica para a população do Líbano, mas também para o processo de cessar-fogo da guerra envolvendo o Irão e que corre sob a mediação do Paquistão.
O ministro português já tinha visitado Beirute em 12 de fevereiro do ano passado, tendo sido então o primeiro chefe de diplomacia a reunir-se com o novo primeiro-ministro, Nawaf Salam, e o novo ministro dos Negócios Estrangeiros naquela altura.
Rangel tem mantido contactos regulares com o homólogo libanês – o último encontro dos dois ocorreu em Barcelona em novembro passado.
Segundo a agência das Nações Unidas para as migrações (OIM), mais de um milhão de pessoas foram deslocadas por este conflito, com mais de 141 mil atualmente alojadas em mais de 700 centros coletivos em todo o país.
O custo humano “tem sido devastador”, com mais de 2 mil mortes, ataques a instalações e profissionais de saúde e a destruição de estradas, pontes, casas e outras infraestruturas críticas, de acordo com a OIM.
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