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Abusos na Igreja: “Com 10 anos, que tipo de provas é que podia apresentar a não ser o sofrimento?”


Abusos na Igreja Católica

Uma das alegadas vitimas de abuso sexual na Igreja acusa a Conferência Episcopal Portuguesa de incoerência e pede a reabertura do processo. O homem viu a indemnização recusada por falta de provas, mas sublinha que o abuso aconteceu há 45 anos e que não há testemunhas.

Abusos na Igreja Católica

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Os abusos aconteceram no ano em que António, nome fictício, perdeu o pai. Tinha apenas 10 anos. A mãe era muito ligada à igreja e, em conversa com o padre, surgiu o convite para o filho mais novo passar com ele algumas noites.

“Durante a noite é que aconteciam essas questões em que, pura e simplesmente, ele se ia aproximando. Ia colocando a mão por cima e depois começava os abusos (…). Eu quando me via muito apertado, saía da cama, ia à casa de banho, sempre com a desculpa da casa de banho até [ele] adormecer.”

António prefere continuar no anonimato. Nunca contou o que aconteceu, nem mesmo quando o irmão, três anos mais velho, denunciou tudo publicamente na altura. Nada aconteceu ao padre.

Em agosto de 2023, decide revelar os abusos: primeiro ao grupo VITA, depois à comissão diocesana, que lhe terá informado que havia uma queixa mais recente.

“Nesse dia em que fomos os dois ouvidos pelo presidente da comissão da diocese em questão, também nos foi transmitido que, inclusive, esse senhor padre estava com uma queixa em tribunal recente de um jovem que o tinha acusado. Portanto já não é uma queixa de há 40 ou 50 anos.”

Dois anos e meio depois, em março deste ano, recebe uma carta da Conferência Episcopal Portuguesa. O pedido de indemnização por abusos sexuais na Igreja foi indeferido. O padre, hoje com mais de 80 anos, foi absolvido.

Inconformado com o que diz ser uma avaliação injusta, aponta ainda incoerências no processo e fala em tentativa de intimidação. Ao telefone foi-lhe dito que a decisão vinha do Vaticano e que era irreversível.

Em resposta à SIC, a Conferência Episcopal Portuguesa diz que, por respeito às vítimas e à confidencialidade dos processos, não comenta casos específicos. Reconhece, ainda assim, a gravidade dos abusos e o impacto profundo na vida das vítimas. Por fim, salienta que foi criado um regulamento para o processo de compensações financeiras e que os critérios definidos estão a ser integralmente cumpridos.



SIC Noticias

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