Economia

"Vergonha vai mudar de lado": Pedro Sánchez entende que tempo da extrema-direita "chegou ao fim"

[

Mundo

O presidente do Governo espanhol afirmou, este sábado, que o tempo da extrema-direita “chegou ao fim” e, a partir de agora, a “vergonha vai mudar de lado”, pedindo à esquerda para ter orgulho nos seus ideais e “fé no progresso”.

Nacho Doce

No discurso de encerramento do encontro Mobilização Global Progressista, que juntou vários líderes de esquerda em Barcelona, Pedro Sánchez reconheceu que “o horizonte está carregado de incertezas” e que a extrema-direita está a “fazer tanto barulho e a gritar tanto que parece que não existem outras vozes”.

“Mas peço-vos que não se enganem, que não nos enganemos, porque a extrema-direita não está a gritar porque está a ganhar. Gritam porque sabem que o seu tempo está a acabar”, frisou.

Pedro Sánchez afirmou que a extrema-direita sabe que a “sua ortodoxia neoliberal morreu em 2008, com a grande crise financeira”, e que “a sua visão da ordem internacional está a ser desmantelada devido às tarifas e às guerras ilegais”.

“Sabem que o seu negacionismo climático, a sua xenofobia, o machismo foi o seu maior erro, do qual vai demorar muito tempo a recuperar. A direita não lidera, estagna”, afirmou.

Por isso, prosseguiu o chefe de Governo espanhol, “não importa que gritem, que inventem mentiras, porque as pessoas estão a começar a aperceber-se de que não têm projeto nem soluções”.

“Só ódio, ‘slogans’ vazios e políticas erradas que só trouxeram quatro coisas ao mundo: guerra, inflação, desigualdade e fratura social. Por isso, estou convencido que o tempo da internacional de extrema-direita chegou ao fim”, afirmou, perante os aplausos da audiência.

Pedro Sánchez salientou que a extrema-direita tem procurado que a esquerda “tenha vergonha das suas ideias e da sua história”.

“Mas isso acabou. Termina hoje, em Barcelona, no dia 18 de abril de 2026. A vergonha vai mudar de lado. Vai mudar de lado e vai mudar para sempre. A partir de hoje, a vergonha é para eles: para os que se calam perante a injustiça, que exploram os trabalhadores, que criminalizam o que é diferente, que convertem direitos em mercadorias, que defendem os privilégios das elites, os que apoiam a guerra e a violência em Gaza, na Cisjordânia, na Ucrânia, no Líbano, no Médio Oriente”, referiu.

Com Lula da Silva a ouvi-lo na primeira fila, Pedro Sánchez defendeu que a esquerda deve ter orgulho.

“Orgulho porque somos pacifistas, ecologistas, sindicalistas, feministas. O orgulho, sim, de ser de esquerda, de ser socialista, social-democrata, de sermos progressistas, porque o progressismo hoje é mais necessário do que nunca”, salientou.

Além do orgulho, o chefe do executivo espanhol defendeu ainda que a esquerda deve voltar a ter “fé no progresso” e “confiança de que o amanhã pode ser melhor”.

“Roubaram-nos isso sem que nos apercebêssemos. Eles querem ver-nos assustados, abatidos, derrotados. Querem que nos concentremos tanto em proteger a realidade, que não a transformamos. Mas nós não vamos comprar o seu pessimismo nem desespero. Vamos defender que um mundo melhor é possível”, afirmou.

Neste discurso, Pedro Sánchez abordou ainda a decisão do seu Governo de regularizar 500 mil imigrantes, deixando um aviso à oposição em Espanha.

“Quero dizer à direita e à extrema-direita que se opõem [a esta decisão] que a Espanha é filha da migração e não vai ser mãe da xenofobia”, disse, ouvindo um forte aplauso.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *