A governante Maria da Graça Carvalho, que tem a seu cargo as pastas do Ambiente e da Energia, afirmou que o projeto está pronto para avançar e as obras podem começar no início da semana, mas antes quer ter uma conversa com Rui Cristina, que classificou a construção da dessalinizadora como um “erro grave”, num vídeo divulgado nas redes sociais.
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita as obras de reposição de areia em praias de Loulé, Maria da Graça Carvalho afirmou que, desde que chegou ao Governo e encontrou a dessalinizadora prevista para Albufeira, o projeto tem progredido e “tem, neste momento, todas as condições para avançar”, depois de ter obtido Declaração de Impacte Ambiental favorável e de ter sido realizada “uma consulta pública” que contou com a participação entidades, academia e Organizações Não Governamentais.
Obteve depois uma Declaração de Conformidade do Projeto de Execução (DECAP) e já “tem a autorização para início de obra”, que foi passada na sexta-feira, frisou.
“É um processo irreversível no sentido de que só ainda não começou porque eu quero ter a oportunidade de falar mais uma vez com o senhor presidente da Câmara de Albufeira”, afirmou, ao ser questionada sobre a inevitabilidade de o projeto avançar, apesar das críticas feitas pelo autarca.
Maria da Graça Carvalho recordou que o projeto foi lançado quando o Algarve enfrentava uma seca extrema e todos os estudos científicos apontam para uma redução da precipitação e do nível de evaporação na região nos próximos anos, tornando as secas “cada vez mais frequentes”, com “impacto” na agricultura, no turismo, nos espaços verdes e no consumo humano da região.
A ministra do Ambiente assegurou que “esta obra é para ser feita”, dando ao Algarve uma solução que evita a possibilidade de haver restrições ou faltas de abastecimento quando a seca for mais intensa.
A ministra fez estas declarações ao ser confrontada com o vídeo divulgado pelo presidente da Câmara de Albufeira, no qual Rui Cristina alerta para a inexistência de “qualquer ato formal, protocolo, consulta ou decisão” que represente um apoio do município ao projeto.
“E digo sem hesitações, nós somos frontalmente contra. Não estamos a falar do espaço qualquer, estamos a falar de ecossistemas sensíveis e da Praia da Falécia, que é um dos maiores símbolos da Albufeira, é uma referência mundial e um património natural de valor excecional”, afirmou, considerando que a obra terá um “impacto profundo” e é “um erro político, ambiental e territorial”.
O autarca garantiu que a Câmara de Albufeira “não pode aceitar sacrificar este património por falta de coragem para avançar com soluções estruturais” e prometeu, caso as obras avancem, tomar “todas as diligências necessárias para defender Albufeira e os albufeirenses”.
Questionada sobre se já tem uma data para se reunir com o presidente da Câmara e Albufeira, a ministra disse que não, mas assegurou que vai entrar em contacto com o autarca.
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