Numa nota de repúdio publicada na rede social Instagram, André Biveti, presidente da junta onde se encontra a estátua, na zona da Graça, comunica que a estátua foi vandalizada “com simbologia de ódio”, ao que reagiu com “profunda indignação”.
Na fotografia que acompanha a nota podem ver-se sobre o rosto da poeta cruzes suásticas, símbolo apropriado pelo regime nazi.
“Repudiamos veementemente esta ação. Vandalizar a memória de Natália Correia é tentar, inutilmente, silenciar os valores da inteligência, da insubmissão e da democracia que ela tão bem personificou”, firma André Biveti, acrescentando que foi “efetuada de imediato” uma intervenção de limpeza.
“Esta e outras situações que nos têm chegado, inclusive de ataques a casas de vizinhos, serão participadas às autoridades competentes”, assegura o presidente da junta, eleito pela coligação PS-Livre-BE-PAN, comprometendo-se “a combater qualquer tentativa de degradação” do património e da memória coletiva.
“Numa sociedade que se quer livre, justa e plural, o ódio e o obscurantismo não têm lugar”, separou, vincando: “Natália Correia ensinou-nos a não ter medo; continuaremos a honrar esse legado.”
Fundadora d’O Botequim, bar e espaço cultural aberto em 1971 no Largo da Graça, Natália Correia, que foi também deputada eleita pelo PPD (1979-1983) e pelo PRD (1987-1991), é um dos maiores nomes da literatura portuguesa no século XX.
A estátua de homenagem foi inaugurada em 2023, por altura da celebração dos 100 anos de nascimento da escritora açoriana.
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