As águas chegaram a 80 centímetros do tabuleiro inferior da Ponte Luiz I nas grandes cheias de 23 de dezembro de 1909.

Loading…
A expressão “cheia do século” foi muito usada nas duas últimas semanas, a propósito da subida do Mondego. Mas no Douro, rio de humores variáveis, a grande cheia do século XX ocorreu em 1909.
Os registos da catástrofe foram compilados num álbum particular de um cidadão portuense e mantiveram-se na família até aos dias de hoje. A obra é ilustrada com fotografias de Domingos Alvão, um dos maiores fotógrafos portugueses.
As vésperas de Natal de 1909 foram de angústia e sofrimento para as gentes do Porto. Foram dias de devastação e morte quando as águas do Douro subiram a níveis que apenas tinham sido ultrapassados em 1793.
A 23 de dezembro, as águas atingiram o seu ponto mais alto, a escassos 84 centímetros do tabuleiro inferior da Ponte Luiz I.
Temendo que a água subisse mais e pudesse criar um problema de equilíbrio na ponte, as autoridades chegaram a colocar a hipótese de cortar o tabuleiro a maçarico, de um lado e de outro, para preservar o resto da ponte.
As incidências da grande cheia de 1909 ficaram registadas na imprensa da época e nas fotografias de Domingos Alvão, um dos mais reputados fotógrafos portugueses de sempre.
Vinte anos depois, em 1929, um cidadão portuense de nome Joaquim do Valle Cabral reuniu algumas das melhores fotografias de Alvão e sistematizou, de forma pormenorizada, toda a informação existente sobre a cheia.
Com a autorização da família, os dois volumes dedicados à Cheia de 1909 estarão disponíveis em breve, numa versão facsimilada.
