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“O momento mais desafiante da minha carreira foi vir para Lisboa. Vivia num quarto alugado que custava com tanto como um T3 em Braga”



O CEO é o limite

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O atual presidente da Kyndryl fez carreira na área da consultoria e chegou ao topo numa função internacional. Foi nesse cargo que percebeu que sucesso, felicidade e realização pessoal nem sempre caminham de mãos dadas. José Gonçalves é o convidado deste episódio do podcast “O CEO é o limite”

Há carreiras construídas em escolhas que para muitos não são óbvias. José Gonçalves, presidente da Kyndryl Portugal, fez várias ao longo do seu percurso profissional. E se não hesita em admitir que a decisão que lhe mudou a vida foi a de vir para Lisboa trabalhar – “onde estavam as oportunidades”, mas também onde “vivia num quarto que custava tanto como um T3 em Braga”, o que o deixava, no início da carreira, todos os meses sem dinheiro – foi quando chegou ao topo que percebeu que sucesso e realização pessoal nem sempre caminham de mãos dadas.

José Gonçalves tinha assumido um dos lugares mais ambicionados por muitos executivos, uma função global de topo na Accenture. Assume que a experiência internacional lhe trouxe escala, exposição e aprendizagem, mas não a realização pessoal que esperava. “A dimensão global impressiona, aprendemos imenso e lidamos com o topo das organizações, mas há um momento em que temos de ser honestos connosco e perceber o que verdadeiramente nos realiza”, sublinha.

O presidente da Kyndryl aponta que nunca teve “um caminho totalmente definido”. O que tinha, realça, “era a ambição de subir degraus, de crescer em cada etapa e de me superar continuamente”. Foi essa mentalidade que o levou a liderar a operação portuguesa da consultora Accenture durante sete anos e, posteriormente, a assumir funções globais.

José Gonçalves, presidente da Kyndryl Portugal, durante a gravação do podcast “O CEO é o limite”

Matilde Fieschi

E foi nessa fase internacional da careira que percebeu onde realmente consegue aportar valor. Longe do terreno, em funções mais corporativas, sentiu falta daquilo que mais o motiva: equipas, clientes e execução. “Consigo desempenhar um cargo internacional, mas não é isso que me entusiasma. Onde me realizo é no contacto com as pessoas, a construir equipas, a resolver problemas concretos e a fazer acontecer”, explica José Gonçalves.

A decisão de trocar um cargo global por um novo desafio em Portugal, na Kyndryl, foi vista por alguns como inesperada, mas José Gonçalves encara-a como um regresso à sua essência profissional. Até porque, como realça, “a liderança não é um cargo, é um reconhecimento. As pessoas escolhem seguir-nos quando sentem que crescem connosco”. Defensor de modelos menos hierárquicos e mais colaborativos, o presidente da Kyndryl resume a sua filosofia de forma clara: “Nunca quis ser a melhor pessoa da sala. Quis ser a pessoa que junta pessoas excelentes da equipa e as ajuda a dar o melhor de si”.

Cátia Mateus podcast O CEO é o limite

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer.

Se tem histórias de liderança inspiradora para partilhar connosco, um líder que marcou o seu percurso profissional, dúvidas de carreira ou temas que gostasse de ver tratados neste podcast, envie-nos um e-mail para oceoeolimite@expresso.impresa.pt. Queremos saber de si.



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