A Ministra da Saúde é ouvida amanhã na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM. Ana Paula Martins, que tutela diretamente o instituto desde a greve de 2024, enfrenta agora novos focos de pressão. O INEM acumula uma dívida de 20 milhões de euros aos bombeiros e hoje ficou a saber-se que a falta de médicos está a condicionar o funcionamento das viaturas de emergência.
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Quando esta terça-feira for ouvida na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, Ana Paula Martins sabe que tem em mãos um problema maior, que não se esgota na paralisação de 2024. Desde logo, com a mais recente notícia de que a falta de médicos para preencher as escalas está a condicionar o funcionamento das viaturas médicas de emergência.
Só no ano passado, 44 viaturas estiveram mais de 10 mil horas paradas. Julho e agosto foram os meses mais afetados.
“Rejeitamos que o INEM se escuse da responsabilidade desta taxa de não profissionalidade. A responsabilidade de prestar serviços de emergência aos cidadãos é do INEM”, referiu Rui Lázaro do sindicato dos técnicos de emergência pré-hospitalar, defendendo uma melhor organização dos horários dos profissionais.
Além dos problemas com a gestão, a ministra tem outra crise para resolver: uma dívida de 20 milhões de euros às corporações de bombeiros pela prestação de socorro pré-hospitalar. O instituto reconhece que há valores em falta e fala na necessidade de um reforço orçamental.
Foi o ministro da Administração Interna quem garantiu uma solução para breve.
“Os bombeiros são absolutamente insubstituíveis. Quero deixar uma palavra de conforto aos portugueses de que não vai deixar de haver socorro e o Governo, nos próximos dias, encontrará uma solução”, afirmou Luís Neves.
E enquanto o presidente do INEM insiste na refundação do instituto, “doa a quem doer”, o foco mediático e político continua apontado para Cristina Vaz Tomé, que garantiu na semana passada não ter tido conhecimento do pré-aviso de greve, contrariando o que tinha dito em novembro de 2024.
A ex-secretária de Estado garante que, quando soube, tudo fez para mitigar os efeitos da paralisação de quatro dias, durante a qual ocorreram 12 mortes por possíveis atrasos no socorro. O Chega exige que volte a ser ouvida e também o sindicato dos técnicos de emergência quer prestar novos esclarecimentos.
Mas antes, tem a palavra a ministra da Saúde, que puxou a si a tutela do instituto e o definiu como prioridade.
“Mais de 70% do meu tempo tem de ser dedicado a resolver os problemas do INEM”, afirmou em 2024.
Quase dois anos depois, os problemas continuam.
