Economia

Papa defende que pena de morte é "inadmissível" mesmo após crimes gravíssimos

[

Papa Leão XIV

O papa Leão XIV reiterou que a pena de morte é inadmissível para a Igreja e defendeu o princípio de que a dignidade humana “não se perde mesmo após a prática de crimes gravíssimos”.

Guglielmo Mangiapane

Numa mensagem vídeo enviada para assinalar o 15.º aniversário da abolição da pena capital no Estado do Illinois (EUA), o seu local de nascimento, o pontífice destacou que o direito à vida é “o próprio fundamento de todos os outros direitos humanos”.

“Afirmamos que a dignidade da pessoa não se perde mesmo após a prática de crimes muito graves”, referiu o papa norte-americano num vídeo dirigido aos participantes do evento na Universidade DePaul, em Chicago.

E acrescentou: “Além disso, podem ser desenvolvidos sistemas de detenção eficazes, e têm sido desenvolvidos, que protegem os cidadãos e, ao mesmo tempo, não privam completamente o culpado da possibilidade de redenção.”

Lembrou ainda que a Igreja ensina consistentemente que toda a vida humana, “desde a conceção até à morte natural, é sagrada e merece ser protegida”.

Leão XIV observou que tanto o papa Francisco como os seus antecessores “insistiram repetidamente em que o bem comum pode ser salvaguardado e as exigências da justiça satisfeitas sem recorrer à pena capital”.

Citou ainda o Catecismo da Igreja Católica para realçar que esta prática é “inadmissível porque viola a inviolabilidade e a dignidade da pessoa”.

No final da sua mensagem, Leão XIV celebrou a decisão histórica tomada pelo governador do Illinois em 2011 e ofereceu o seu apoio àqueles que trabalham pelo fim da pena capital “nos Estados Unidos da América e em todo o mundo”.

Nos Estados Unidos, a pena capital é legal em 27 estados, embora quatro deles tenham moratórias que impedem as execuções, e foi abolida em 23 estados e no Distrito de Columbia, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Death Penalty Information Center.

Segundo dados do grupo, foram realizadas 47 execuções em todo o país em 2025, com um recorde de 19 só na Florida, e estão agendadas 32 execuções para 2026, das quais oito já ocorreram.

“Rezo para que os seus esforços levem a um maior reconhecimento da dignidade de cada pessoa e inspirem outros a trabalhar pela mesma causa justa”, concluiu o papa norte-americano na sua mensagem.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *