A Polícia de Segurança Pública respondeu este domingo ao Sporting de Braga, que criticou a autoridade por impedir “a exibição de uma tela de promoção ao clube e à cidade” no jogo de ontem com o Vitória de Guimarães.
Em comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, a PSP explica que “a Polícia de Segurança Pública de Braga procedeu, antes da abertura de portas, à habitual inspeção de segurança junto das bancadas”.
“No decurso dessa ação policial, foi verificada a pré-colocação de duas lonas/tarjas em locais distintos da bancada nascente: uma de grandes dimensões (cerca de 2.500 m²), enrolada no relvado ao longo de toda a extensão da bancada, e outra na zona nascente superior”, detalhou.
A maior dessas duas lonas era “constituída por uma rede de suporte, várias lonas pintadas, uma estrutura metálica tubular linear com aproximadamente 100 metros de comprimento e várias centenas de metros de cordame destinado à sua elevação”. A tarja em causa encontrava-se ainda colocada “na proximidade de artefactos pirotécnicos”, os quais tinham sido autorizados e licenciados.
Contudo, tendo em conta a natureza dos materiais, que podem facilmente entrar em combustão, “o comandante do policiamento, após consulta à estrutura distrital de comando, determinou a inviabilização total” da lona. A decisão foi tomada tendo em conta os “riscos reais e significativos para a integridade física dos adeptos presentes na bancada nascente”.
Na mesma nota, a PSP salientou ainda que, no passado dia 9 de fevereiro, “a intenção de não autorizar as referidas coreografias, considerando que as mensagens nelas apostas não evidenciaram qualquer manifestação clara e inequívoca de apoio à equipa ou à sociedade desportiva interveniente, neste caso o Sporting Clube de Braga”.
A equipa em questão afirmou no sábado, numa nota de repúdio, que a decisão da PSP mostrou uma “postura intransigente e autista”, num processo relativo a uma tela que realçava o “orgulho” do clube por estar vinculado a uma cidade com uma história “bimilenar”. A mensagem em causa estava escrita em latim.
“Além do absurdo da postura adotada pela PSP, em contradição com outras coreografias já realizadas na mesma bancada em anos anteriores e que também têm sido permitidas noutros estádios, este lamentável episódio abre uma ‘ferida’ profunda na postura de cooperação que o Sporting de Braga tem assumido e que tem tido ganhos notórios em matéria de segurança e de comportamentos coletivos”, acrescentou o comunicado.
O Sporting de Braga considerou que a força de segurança “ofendeu o clube e os seus sócios e adeptos, muitos deles voluntários há largas semanas, tendo dedicado horas e horas de trabalho para um momento de promoção do espetáculo” e que criou ainda “condições inflamáveis para o entorno da partida, numa postura de absoluta irresponsabilidade”.
O clube bracarense prometeu ainda solicitar “reuniões de emergência” e instar a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e LPFP “a posicionarem-se” sobre o caso, por entender que “não é possível clamar por mais e melhores espetáculos” e pela promoção dos mesmos num “ambiente de prepotência e de hostilização dos clubes e das suas massas associativas”.
Note-se que o jogo em questão foi particularmente desafiante para a PSP, tendo sido feitas mais de 50 identificações por pequenos delitos. Além disso, “a PSP teve conhecimento de várias pessoas que necessitam de intervenção de socorro pré-hospitalar” e ficou ainda ferido um agente da polícia, que teve de precisou de se deslocar ao hospital.
O jogo foi igualmente afetado pelos ânimos exaltados dos adeptos. A abertura das portas foi atrasada 35 minutos devido ao “arremesso de várias tochas incandescentes para o relvado, precisamente na zona onde seria elevada a lona/tarja de maiores dimensões”.
