“Todos os dias alertamos os operadores para a necessidade urgente de reporem as comunicações que deixaram esta população ainda mais isolada e estamos a falar de cerca de 20% de pessoas que continuam há três meses sem ter televisão e Internet em casa para trabalhar ou lazer, com todos os transtornos que isso causa”, denunciou Carlos Lopes.
Em declarações à agência Lusa, o autarca considerou que esta é “uma questão muito complexa, que está a criar constrangimentos graves na vida das pessoas, colocando mesmo em causa a saúde mental de muitos agregados familiares, por causa desta falta de investimento e de sensibilidade por parte dos operadores”.
O presidente do município de Figueiró dos Vinhos insistiu na “falta de sensibilidade” dos operadores para com a população do concelho, “que está todos os dias a bater à porta da Câmara para lhes acudir”.
“Sentimo-nos impotentes, porque é uma matéria que não é da nossa jurisdição e competência, embora todos os dias procuremos reencaminhar as reclamações”, afirmou Carlos Lopes, lamentando que esta situação contribua “de forma cada vez mais acentuada para uma grande discriminação para com os territórios de baixa densidade localizados no interior do país”.
“Não nos queremos vitimizar, mas apelamos ao respeito. A nossa população está, neste momento, em muitos casos, desesperada”, sublinhou o autarca, salientando que a falta destes serviços “não só diminui a qualidade de vida dos agregados familiares, como contribui para que as pessoas entrem num regime depressivo, que para é muito problemático”.
O presidente do município disse que existem determinadas localidades em que metade da população está servida de Internet e televisão e outra metade não, e questionou a “falta de estratégia e metodologia que está a comprometer a vida das pessoas”.
Carla Mendes, residente na vila de Pedrógão Grande, confirmou à agência Lusa que está sem Internet e televisão desde a tempestade kristin, ocorrida em 28 de janeiro.
“Esta situação implicou que tivesse de recorrer à antiga antena de TDT para ter sete canais de televisão, que, apesar de torcida, ainda funciona, e tenha de usar os dados móveis do telemóvel para ter Internet”.
No seu local de trabalho, na Associação de Produtores Florestais de Figueiró dos Vinhos, sediada na vila, onde é técnica responsável pela equipa de sapadores florestais, a falta de Internet e de telefone fixo “tem causado muitos constrangimentos”.
“As pessoas, sobretudo as mais idosas, têm tentado ligar para agendar a limpeza dos seus terrenos, que está na altura, e não conseguem entrar em contacto, perguntando à Câmara se o serviço acabou”, referiu.
Apesar da inexistência dos serviços de Internet e televisão e das reclamações semanais, Carla Mendes denunciou que a operadora tem enviado faturas de pagamento para a sua entidade patronal.
“Pagámos 75 euros de fevereiro e mais 75 euros de março, e já recebi fatura de pagamento de abril e maio no montante de 151 euros, que não vamos pagar”, afirmou.
Os dados do telemóvel também têm sido usados por Teresa Trancoso, residente próximo da Escola Secundária, para colmatar a falha de serviço de Internet e televisão.
“Já tenho a bateria do telemóvel estragada por a estar a carregar consecutivamente para poder partilhar os dados para ter televisão, apesar de às vezes a rede ser má e não permitir a partilha”, descreveu à agência Lusa.
Salientando que o marido já apresentou dezenas de reclamações, Teresa Trancoso mostrou-se incrédula por cinco técnicos já terem ido ao local a perguntar pela avaria, sem terem o cuidado de comunicarem entre si.
“Foram cortados uns eucaliptos que estavam em cima dos cabos e foi-nos transmitido que hoje a situação estaria resolvida, mas continua tudo igual”, lamentou.
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