Portugal

Associação teme que Vila Franca perca fundos, município diz que está a executar

Segundo os dados fornecidos à Lusa pela Câmara liderada por Fernando Paulo Ferreira, reeleito pelo PS para um segundo mandato, até março de 2024 foram entregues 22 candidaturas a financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para apoio à habitação.

Onze foram aprovadas e estão em execução, com um financiamento de quase 35 milhões de euros, e a outra metade está em análise pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

Abrangendo um total de 225 fogos a intervencionar, as candidaturas correspondem a 84% do universo previsto na Estratégia Local de Habitação (ELH), aprovada em maio de 2021, contabiliza a autarquia.

Fundada há dois anos por pai e filho, a Assistir tem feito o levantamento dos bairros degradados da Área Metropolitana de Lisboa.

Residentes em Alverca, começaram por tentar “fazer alguma coisa” pelas pessoas dos bairros mais próximos e desde o ano passado que vêm falando com os moradores do Clarimundo e do Tardoz da Improsit, junto à vila do Sobralinho, no concelho de Vila Franca de Xira, onde mais de uma dezena de famílias vive em construções de madeira e chapa há mais de 30 anos, sem água, luz e saneamento.

Sublinhando que “existem mais situações” dessas no concelho de Vila Franca de Xira, Luís Pereira assume o foco nos dois bairros, por considerar a situação urgente: “É um problema que tem que ser resolvido”.

O cofundador da Assistir critica o que considera ser a inação da autarquia socialista.

“Se foi investida alguma coisa, foi muito pouco dinheiro”, nota, acrescentando que não se sabe “em que está a ser aplicada” a verba do PRR para habitação.

“A questão é mais não perder o dinheiro que têm do PRR. Nós temos medo que, perdendo esse dinheiro, estes projetos não avancem”, reconhece, acrescentando que há “muitos projetos” formalizados na página da autarquia, mas sem nada “de concreto”, e referindo o exemplo de uma construção de 34 fogos “parada há dois anos”.

A associação que fundou com o filho tem percorrido a Área Metropolitana de Lisboa, onde não só “ainda existem muitas barracas”, como estão a aumentar.

“Somos capazes de passar em alguns sítios e […], num primeiro dia, temos lá 10 barracas, voltamos dois ou três meses depois já lá tem 50 barracas”, reporta.

Em agosto de 2024, quando foi criada, a Assistir foi recebida pela vereadora responsável pela habitação e ação social da Câmara de Vila Franca de Xira, Manuela Ralha, numa “reunião informal” para se darem a conhecer e trocarem ideias.

“Fizemos novo pedido de reunião agora, nesta fase, estamos à espera ainda”, diz Luís Pereira.

À Lusa, o município confirmou que recebeu novo pedido de reunião em março deste ano e que propôs uma data, “declinada pela associação por indisponibilidade”, lamentando que a Assistir, “convidada a integrar/registar-se no movimento associativo do concelho e na Rede Social”, não o tenha feito.

Leia Também: Meia centena vive sem água nem luz à espera de realojamento em Vila Franca



Noticias ao minuto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *