De acordo com números oficiais, a violência relacionada com os cartéis causou mais de 450.000 mortos e mais de 100.000 desaparecidos desde 2006 no México.
Joebeth Terriquez
O México foi abalado por uma onda de violência este domingo, após a morte do líder de um dos maiores cartéis de droga, numa operação realizada com o apoio dos EUA, e a prioridade é agora travar os distúrbios.
Pelo menos 8 dos 32 estados mexicanos suspenderam as aulas presenciais esta segunda-feira e o poder judiciário autorizou os juízes a manter os tribunais fechados quando considerarem necessário, enquanto a Presidente mexicana Claudia Sheinbaum apelou à “calma”.
Morto aos 59 anos, Nemesio Oseguera, conhecido como ‘El Mencho’, era considerado o último dos grandes chefes dos cartéis mexicanos desde a prisão dos fundadores do cartel de Sinaloa, Joaquín Guzmán ‘El Chapo’ e Ismael ‘Mayo’ Zambada, presos nos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos forneceram apoio em matéria de informações ao governo mexicano para o ajudar numa operação (…) durante a qual Nemesio ‘El Mencho’ Oseguera foi eliminado”, confirmou a porta-voz do Presidente Donald Trump, Karoline Leavitt, na rede social X.
Nemesio Oseguera, conhecido como ‘El Mencho’
DEA
O Presidente norte-americano fez da luta contra o narcotráfico uma prioridade e instou várias vezes a sua homóloga mexicana a permitir que Washington enviasse forças norte-americanas para combater os cartéis que operam no México, uma proposta que Claudia Sheinbaum rejeitou até agora.
‘El Mencho’ foi ferido durante uma operação realizada na localidade de Tapalpa, no estado de Jalisco (oeste), e morreu pouco depois, quando era transportado de avião para a Cidade do México.
No total, sete criminosos foram mortos e três soldados ficaram feridos. Dois membros do CJNG foram detidos e várias armas foram apreendidas, incluindo lança-foguetes capazes de abater aviões e destruir veículos blindados, segundo fontes militares.
O governador do estado de Jalisco garante que a prioridade nesta altura é salvaguardar a segurança de todos os cidadãos. “Ativámos o código vermelho”, disse Pablo Lemus Navarro durante uma declaração ao país.

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Em reação à operação militar, supostos membros do cartel desencadearam uma onda de violência em 20 estados do país.
De acordo com alguns analistas, ainda que antecipassem distúrbios, as autoridades mexicanas não previam a extensão e profusão dos mesmos, que revelaram níveis inesperados da organização do cartel.
Um jornalista mexicano relatou momentos de tensão em algumas cidades do país. Em declarações à SIC Notícias, revelou que “muitos traficantes começaram a semear o terror”.

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Indivíduos armados bloquearam várias estradas do estado de Jalisco (oeste) com carros e camiões incendiados, onde era possível ver à noite os restos de veículos calcinados e outros ainda em chamas.
Claudia Sheinbaum, chefe de Estado de um dos três países que deve receber este ano o Campeonato Mundial de Futebol, apelou à população para que se mantivesse “informada e calma”.
Os Estados Unidos apelaram aos seus cidadãos em várias zonas do México, incluindo cidades e regiões turísticas como Cancún, Guadalajara e Oaxaca, para que “se refugiem até nova ordem”. As companhias aéreas norte-americanas cancelaram dezenas de voos para várias cidades mexicanas.
A Guatemala colocou as forças de segurança em alerta e reforçou a vigilância da sua fronteira com o México, que é regularmente alvo de incursões de gangues.
De acordo com as autoridades mexicanas, às 20:00 (02:00 TMG de segunda-feira), cerca de 90% dos 229 bloqueios registados no país tinham sido levantados.
Muitos mexicanos admitem ter medo de sair à rua e não sabem o que fazer.

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Christopher Landau, subsecretário de Estado americano, classificou a morte do narcotraficante como “uma grande vitória para o México, Estados Unidos, América Latina e para o mundo inteiro”.
O CJNG, formado por Oseguera em 2009, foi classificado em 2025 como organização terrorista pelos Estados Unidos, que o acusam de tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil.
O cartel é um dos mais violentos do México, segundo o Departamento de Estado norte-americano, que o descreve como “transnacional, presente em quase todo o México”, praticando extorsão, tráfico de migrantes, roubo de petróleo e minerais e comércio de armas.
Durante muito tempo, não conseguiu competir com os cartéis que controlavam a fronteira com os Estados Unidos, voltando-se então se para outros mercados, como a Europa, Ásia, África e até Austrália, menos disputados pelos mexicanos, mas onde as drogas são mais caras, como sublinhou à AFP o escritor, especialista em narcotráfico, José Reveles.
A violência relacionada com os cartéis causou mais de 450.000 mortos e mais de 100.000 desaparecidos desde 2006 no México, de acordo com números oficiais.
