Três meses depois de um conjunto de tempestades ter assolado uma parte do país, ainda há 20 mil pessoas sem comunicações, para além de empresários, autarquias e particulares continuarem a queixar-se de que os apoios chegam a conta-gotas. Os prejuízos ultrapassaram os cinco mil milhões de euros.

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Foram três semanas em que as tempestades se sucederam em Portugal. Kristin, Leonardo e Marta foram três nomes que trouxeram o caos entre 22 de janeiro e 15 de fevereiro deste ano.
Os distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa foram os mais castigados. 19 pessoas perderam a vida. Os prejuízos foram superiores a cinco mil e 300 milhões de euros. Sobretudo a tempestade Kristin destruiu habitações, estruturas de abastecimento de água, energia e de comunicações.
O novo Presidente da República foi eleito pelos portugueses a 8 de fevereiro, no meio das tempestades, e a primeira visita oficial foi para ver os estragos.
Passaram quase três meses. O Governo respondeu com medidas excecionais e urgentes, que chegam a 3,5 mil milhões de euros, para ajudas diretas, moratórias e linhas de crédito para a recuperação de famílias e empresas nos municípios mais afetados.
Cerca de 65 mil candidaturas para apoios
Até terça-feira passada, tinham sido apresentadas cerca de 65 mil candidaturas a todas as linhas de apoio que estão em curso, no âmbito da agricultura, Segurança Social, Autoridade Tributária (AT) e Instituto de Emprego (IEFP), incluindo quase 36 mil candidaturas à reconstrução de habitações.
Segundo a coordenação da Estrutura de Missão criada para acompanhar a reconstrução da região Centro, já chegaram às pessoas, empresas e entidades públicas perto de dois mil milhões de euros. No entanto, empresários, agricultores, autarquias e particulares continuam a alertar para a morosidade dos pagamentos e a burocracia dos processos.
Governo vai apresentar versão final do PTRR
Para ajudar o país a recuperar economicamente das consequências do mau tempo, o Governo vai apresentar na próxima terça-feira a versão final do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), com medidas para executar até 2035.
Numa altura em que ainda há 20 mil clientes sem serviço fixo de comunicações, sobretudo fora dos núcleos urbanos da região de Leiria, segundo a Estrutura de Missão, a reposição total das comunicações fixas será completa até ao início do verão.
