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Monarca inglesa esteve com a autora do novo livro, que relata o trauma vivido desde que descobriu foi drogada durante quase uma década para ser violada.
Aaron Chown
A Rainha de Inglaterra esteve com Gisèle Pelicot, a francesa que foi drogada e violada pelo ex-marido e por mais de 50 homens ao longo de vários anos. A monarca revelou que ficou “sem palavras” com o relato de sofrimento da vítima, no seu novo livro de memórias.
Num comunicado, o Palácio de Buckingham revela que as duas se encontraram em Clarence House nesta segunda-feira.
A obra, com o título “A alegria de viver”, é a voz de quem recusa o papel de vítima envergonhada e pretende levar esperança a outras mulheres que sofrem abusos. O lançamento da obra aconteceu na sexta-feira no Royal Festival Hall de Londres, com leituras feitas pelas atrizes Kate Winslet, Dame Kristin Scott Thomas e Juliet Stevenson.
Monarca emocionada com história de Gisèle
Quando as duas mulheres se sentaram para tomar chá na Clarence House para uma reunião de 30 minutos, Camilla confessou que leu a obra em dois dias e que não conseguiu “parar de ler”.
“Conheci tantas sobreviventes de violações e abuso sexual, que nunca pensei que pudesse ficar em choque com algo novamente, mas este caso deixou-me sem palavras”, confessou a monarca.
No ano passado, a Rainha Camilla escreveu uma carta à sobrevivente, de 73 anos, elogiando a sua “extraordinária dignidade e coragem”. Esta carta, de acordo com a sobrevivente francesa, deixou-a “emocionada”, estando a mesma emoldurada no escritório.
Gisele Pelicot recebeu aclamação mundial pela coragem ao renunciar do direito ao anonimato enquanto sobrevivente de abuso sexual, considerando que a vergonha deveria recair sobre os agressores.
Sobrevivente ‘deu a cara’ na luta por justiça
Quando descobriu os crimes cometidos pelo homem com quem esteve casada 50 anos e teve três filhos, Gisèle Pelicot decidiu levar o caso à justiça e renunciou ao direito do julgamento decorrer à porta fechada.
Em tribunal, Dominique Pelicot admitiu ter cometido os crimes e foi proferida uma sentença histórica: 20 anos de prisão para Dominique, a pena máxima, e de 3 a 15 anos para os outros 50 acusados.
No livro, Gisèle explica que rejeitou o anonimato por vontade e determinação para mudar a sociedade. Escreve que se sente recompensada por já ter ajudado outras mulheres a registar queixas judiciais e a separar-se de companheiros violentos.
