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Francisco Cordeiro Araújo, especialista em direito internacional, diz que existe “algum orgulho ucraniano nesta data que também é trágica, porque mudou a vida de tantos milhões de ucranianos”. A visão dominante, que espelha o discurso do Presidente Volodymyr Zelensky, é a de que Putin não conseguiu o que queria.
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Há precisamente quatro anos, Vladimir Putin lançava uma invasão militar em larga escala na Ucrânia, iniciando o maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mas, quatro anos depois, a Ucrânia resiste.
Francisco Cordeiro Araújo, especialista em direito internacional, diz que existe “algum orgulho ucraniano nesta data que também é trágica, porque mudou a vida de tantos milhões de ucranianos”. A visão dominante, que espelha o discurso do Presidente Volodymyr Zelensky, é a de que Putin não conseguiu o que queria.
“Em primeiro lugar, Putin não conseguiu uma tomada da Ucrânia em três dias. Depois, disse que não queria que a NATO se aproximasse, mas dois países muito perto da Rússia juntaram-se à Aliança Atlântica. Putin também dizia que defendia os direitos das minorias e que estava a prevenir um genocídio, mas alterou o argumento para dizer que existiam maiorias e que, através de um referendo, queriam ser russos. Queria que a Ucrânia cedesse completamente perante o frio, mas continua a resistir”, enumera Francisco Cordeiro Araújo.
Para o especialista em direito internacional, todos os objetivos expansionistas do Kremlin, que “pareciam fáceis de alcançar”, tornaram-se para Putin “um pesadelo, que desgasta a economia e retira credibilidade internacional”.
“Putin não quebrou o povo ucraniano”
Quatro anos volvidos, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, garantiu esta terça-feira que os objetivos russo não foram alcançados.
“Putin não alcançou os seus objetivos. Não quebrou o povo ucraniano. Não ganhou esta guerra”, diz Zelensky, numa mensagem vídeo, gravada no ‘bunker’ do gabinete presidencial ucraniano. “Preservámos a Ucrânia e tudo faremos para alcançar a paz e para que a justiça seja feita. Queremos paz, uma paz forte, digna e duradoura“, acrescenta o chefe de Estado.
Os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia deslocam-se hoje a Kiev para assinalar o quarto aniversário da guerra, enquanto o Parlamento Europeu organiza uma sessão plenária extraordinária em Bruxelas.
António Costa e Ursula von der Leyen, que no ano passado já se tinham deslocado à Ucrânia em 24 de fevereiro, vão participar na cerimónia memorial oficial em Kiev e visitar uma infraestrutura energética bombardeada pela Rússia, antes de se reunirem com Zelensky.
