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Entrevista SIC Notícias
O ministro dos Negócios Estrangeiros destaca, em entrevista na SIC Notícias, os “enormes esforços” da Ucrânia e considera que os Estados Unidos têm um “papel insubstituível” nas negociações de paz.
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Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, tem esperança que a guerra na Ucrânia termine este ano e considera que os Estados Unidos têm um papel “insubstituível” nas negociações.
A paz na Ucrânia deve ser “justa e duradora”, isto é, sem cedência de território que não seja aceite pelos ucranianos e com garantias de segurança, defende Paulo Rangel.
Em entrevista à SIC Notícias, o ministro admite que “tem alguma esperança” que a guerra termine em 2026, apesar de ser “algo que não dá para prever”.
“Acho que pode haver chances”, face ao “impasse no terreno e às circunstâncias do ponto de vista económico da Rússia”, justifica.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, os Estados Unidos têm um “papel insubstituível” e a China poderia ter um papel na mediação, “nem que fosse nos bastidores”.
“Não há dúvida de que Trump tem uma capacidade de intervenção que mais nenhum país do mundo tem”, defende.
Na SIC Notícias, Rangel destaca que Kiev tem feito “enormes esforços” para se aproximar de uma “posição aceitável” para Moscovo, apesar de “muitas negociações” não serem produtivas, com “responsabilidade quase exclusiva” da Federação russa.
“A Ucrânia não pode fazer mais. O que fizesse a seguir seria dar a vitória à Rússia (…) que, se não mudar de posição, para o ano estaremos aqui a assinalar os cinco anos de guerra”, refere.
O ministro considera que há “condições” para um acordo de paz. Agora, “está tudo do lado da Rússia”.
“Se conseguirmos o fim das hostilidades com capacidade de entendimento e diálogo para o futuro, já será o primeiro sucesso, que terá de ter continuidade em negociações a médio e longo prazo”, acrescenta.
A Rússia “fez uma agressão” à Ucrânia que viola a Carta das Nações Unidas, a integridade territorial e a soberania, o que é um “precedente gravíssimo”. Nesse sentido, o ministro defende:
“Não pode sair de um acordo a ideia de que a Rússia ganhou. Temos de encontrar uma solução em que ninguém saia humilhado.”
A Rússia lançou uma ofensiva de grande escala contra todo o território ucraniano no dia 24 de fevereiro de 2022. É o maior conflito armado na Europa desde a II Guerra Mundial e a mais mortífera das guerras para a Rússia.
