Economia

"Famílias pedem e querem” alargamento da proibição dos telemóveis até ao 3.º ciclo

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Educação

Movimento considera que medida anunciada é “frágil” e “muito pouco igualitária”. Segundo o grupo, “não é aceitável uma diferenciação de idades”, dado que os alunos convivem nos mesmos espaços.

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O Movimento Menos Ecrãs, Mais Vida enviou, esta quinta-feira, uma carta ao Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, na qual pede uma audiência para reforçar o pedido de alargamento das medidas de proibição de uso de telemóveis nas escolas pelo menos até ao 9º ano (3º ciclo). A medida em vigor destinava-se aos alunos até ao 2º ciclo.

“A medida em vigor nas escolas públicas portuguesas é frágil e muito pouco igualitária. Os alunos de 2º ciclo convivem nos mesmos espaços escolares, que os alunos até ao 9º ano e todos deveriam cumprir as mesmas regras e ter os mesmos direitos”, lê-se na carta enviada a Fernando Alexandre.

Como exemplo, o grupo refere que vários países da Europa e por todo o mundo já têm a proibição do uso dos telemóveis alargada até ao 12º ano de escolaridade. Em Portugal, o movimento defende que a medida atinge um número reduzido de alunos, dado que não se aplica a todos.

“Cada vez mais estudos comprovam que a saúde (física, mental e social) das nossas crianças/jovens está seriamente em risco com a excessiva exposição a ecrãs. Sendo este um problema de saúde pública, não é aceitável que no mesmo espaço escolar existam diferentes regras para um problema que impacta todos os alunos, desde o 5º ao 12º ano”, refere o movimento no comunicado enviado às redações.

A medida do Governo

Desde o início do ano letivo 2026-2027, os telemóveis são proibidos para os alunos do 1.º e 2.º ciclos. Para os do 3.º ciclo, o Governo recomendou “medidas restritivas”.

A medida “regula a utilização, no espaço escolar, de equipamentos ou aparelhos eletrónicos com acesso à internet, como smartphones, proibindo o seu uso pelos alunos do 1.º e do 2.º ciclos do Ensino Básico”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros de julho de 2025, que dava conta da aprovação do legislação em questão.

No início do mês, Fernando Alexandre admitiu que o Governo “não terá problemas” em alargar a proibição até ao 9.º ano, se se concluir que os benefícios são evidentes.

Em declarações aos jornalistas, momentos antes da sessão comemorativa do 52.º aniversário da Universidade do Minho, o ministro afirmou que a decisão dependerá das conclusões de um estudo que vai ser feito.

Criado em janeiro de 2024, o Movimento Menos Ecrãs, Mais Vida, é formado por um grupo de quatro mães professoras, com o objetivo de sensibilizar e informar sobre os impactos negativos que a exposição excessiva a ecrãs acarreta na infância e adolescência.

“Somos a favor do progresso e do uso de recursos tecnológicos. No entanto somos contra o retrocesso intelectual, os malefícios para a saúde e uma certa desumanização provocada pelo uso excessivo da tecnologia pelas crianças, em particular no espaço escolar“, afirma o movimento.

Em junho de 2025, o movimento já tinha solicitado uma audiência com o ministro da Educação, já salientando que a proibição dos smartphones até ao 6.º ano é “pouco ambiciosa em termos etários”.

Por continuarem sem resposta, oito meses depois, o movimento volta a defender que não faz sentido haver regras diferentes no mesmo espaço escolar.



SIC Noticias

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