Face às declarações do Presidente Executivo da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, vem a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores contestar que já esteja restabelecida a energia a “100% dos clientes”.
No dia 28 de fevereiro, completará um mês que várias explorações suinícolas permanecem sem acesso à rede elétrica, recorrendo a geradores para se manterem em funcionamento e acumulando diariamente prejuízos devido ao impacto da tempestade Kristin.
No concelho de Leiria, onde se concentra 20% da produção suinícola nacional, a situação é hoje pouco melhor do que no dia da tempestade.
Ao dia de hoje há ainda 48 explorações no concelho de Leiria sem acesso à rede elétrica, numa área que contempla as freguesias de Colmeias e Memória, Janardo, Regueira de Pontes, Santa Eufémia e Boavista, Bidoeira de Cima, Milagres e Ortigosa, perfazendo um perímetro superior a 100 km2.
Foi com estupefação que a FPAS recebeu as palavras do Sr. Presidente Executivo da EDP, quando refere que já foi recuperada a eletricidade para 100% dos clientes “restando apenas algumas situações específicas”, na medida em há ainda uma região com a dimensão territorial superior a San Marino que se encontra por resolver.
Consideramos as declarações do Sr. Presidente Executivo da EDP ofensivas para milhares de famílias e centenas de empresas que são por si reduzidas a “algumas situações específicas”. São também milhares de animais – mais de 10 mil – que se encontram há um mês a ser criados em condições precárias no que respeita aos sistemas de alimentação automática, ventilação e aquecimento.
Tratando-se de um problema que está identificado há um mês, afetando uma área geográfica tão significativa e com tamanho impacto na vida das pessoas e na economia do país, não podemos entender estas declarações como um esquecimento do Sr. Presidente Executivo da EDP, mas como uma tentativa do país esquecer quem ainda vive na calamidade e, sobretudo, de se esquecer do total falhanço que está a ser a atuação da EDP e da E-Redes, não só no restabelecimento integral da rede elétrica, como no desprezo que sistematicamente vai revelando na relação com os seus consumidores, não havendo, até ao dia de hoje, uma única comunicação sobre o progresso da reposição da rede ou uma previsão do tempo que esta operação demorará, produzindo um impacto económico ainda maior nas empresas que se vêm na circunstância de renovar contratos de aluguer de geradores por tempo indeterminado.
Compreendemos que repor a eletricidade representa um desafio maior do que repor a verdade das declarações do Sr. Presidente Executivo da EDP, mas não aceitamos que os nossos representados sejam instrumentos de desresponsabilização na tentativa de arrumar um assunto que está muito longe de estar resolvido.
O artigo foi publicado originalmente em FPAS.
