Entrevista SIC Notícias
André Ventura, líder do Chega, deu a primeira entrevista após a derrota nas eleições presidenciais. Durante a entrevista, rejeitou adotar um tom mais moderado e elogiou Pedro Passos Coelho, afirmando que Portugal “nunca ficará mal entregue” com o antigo líder do PSD.
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André Ventura considera que Portugal “nunca ficará mal entregue” num cenário em que Pedro Passos Coelho regresse à vida política. A declaração foi feita na primeira entrevista após as eleições presidenciais, na Edição da Noite da SIC Notícias, depois de ter sido derrotado na segunda volta por António José Seguro, onde obteve 33,17% dos votos.
Questionado sobre se sai destas eleições como um candidato derrotado ou como um líder da oposição reforçado, Ventura respondeu: “Diria derrotado no sentido em que não venci as eleições presidenciais. Tinha-me proposto a isso, lutei para ganhar e não aconteceu.” Ainda assim, sublinhou que passou à segunda volta e que conseguiu “vencer o espaço da direita e do centro-direita”, considerando isso “um estímulo para trabalhar”.
O líder do Chega destacou o crescimento do partido desde a sua fundação.
“É preciso dizer isto: o Chega tem seis anos. Em seis anos passou de 60 mil votos para mais de um milhão e 700 mil votos. Isso é um estímulo, mas não é uma vitória porque não deu para ganhar.”
Ventura reconheceu que ficou aquém do objetivo principal.
“Reconheço que não atingi o objetivo de vencer e foi uma margem significativa. António José Seguro ganhou e ganhou com uma margem.”
Ainda assim, defendeu que o partido superou os seus máximos históricos em número de votos e percentagem.
Sobre o significado político da candidatura, afirmou que foi marcada pela “sinceridade na sua origem”, lembrando que inicialmente manifestou dúvidas em avançar, por ter sido recentemente confirmado como líder da oposição no Parlamento.
“Os portugueses deram de alguma maneira razão à candidatura, uma vez que me levaram à segunda volta.”
Admitiu, contudo, que parte da sociedade portuguesa mantém reservas em relação ao seu projeto político.
“Não ignoro que há uma parte da sociedade portuguesa que ainda tem dúvidas sobre se uma mudança deve acontecer ou não.” E acrescentou: “Muito do voto em António José Seguro é um voto de rejeição de um projeto de mudança que eu represento.”
Questionado sobre se deveria adotar um tom mais moderado e positivo para alargar a base eleitoral, Ventura rejeitou essa hipótese.
“Não. O país não está num estado positivo. Quem disser o contrário está a mentir às pessoas”, disse, defendendo ainda que procura ser “o candidato da verdade”, mesmo reconhecendo que isso tem custos políticos.
O presidente do Chega afirmou ainda que quer vencer eleições futuras, mas com humildade.
“Temos de ter humildade e saber ler os resultados eleitorais. Quero vencer, estou a lutar para vencer, mas um político humilde retira lições dos resultados.”
Sobre o futuro político do país, Ventura disse esperar que não haja eleições antecipadas em breve, defendendo que “as pessoas estão cansadas” e que “o país precisa de uma paragem política”. Ainda assim, considera que num próximo ato eleitoral “os dois principais concorrentes são o PSD e o Chega” e que “qualquer um dos dois pode vencer”.
Foi nesse contexto que se referiu a Pedro Passos Coelho, quando questionado se teme nunca vir a ser Primeiro-Ministro porque Pedro Passos Coelho poderia aparecer e anulá-lo.
“Eu gosto de Pedro Passos Coelho. É um homem sério, íntegro, que fez o possível para mudar o país”, disse, acrescentando: “Tenho a certeza de que o país nunca ficará mal entregue num cenário em que Pedro Passos Coelho esteja presente”, sem responder diretamente se teme ou não ser anulado por Passos Coelho.
Ventura garantiu que coloca o interesse nacional acima de ambições pessoais. “Procuro na política pôr o país à frente dos meus interesses e desejos. O que me preocupa é que o país fique bem.” E concluiu: “Quero menos Sócrates e mais Passos Coelho.”
Apesar da derrota presidencial, Ventura insiste que o projeto político do Chega continua em crescimento e que o objetivo de chegar ao Governo se mantém.
