O homem de 49 anos que ficou sujeito a prisão preventiva, na quarta-feira, depois de ter sido detido por suspeitas de ter tentado matar a sua cônjuge, de 50 anos, na madrugada de 20 de fevereiro, em Montemor-o-Novo, já havia sido condenado por violência doméstica contra a ex-mulher e os dois filhos.
Em concreto, o indivíduo foi condenado a 16 de novembro de 2023 “pela prática de três crimes de violência doméstica contra a ex-mulher e dois filhos comuns”, de acordo com uma nota divulgada pelo Ministério Público, na quinta-feira.
O organismo detalhou que o homem ficou sujeito a uma “pena de cinco anos de prisão, suspensa na sua execução por igual período, sujeita a regime de prova”, assim como a uma “pena acessória de proibição de contactos com a vítima e de frequência de programa específico de prevenção de violência doméstica por idêntico período”.
Contudo, o sujeito foi novamente detido, desta feita na passada terça-feira, por ter tentado matar a mulher, com quem mantinha um relacionamento desde junho de 2025. Aliás, o homem terá, inclusive, proferido “ameaças contra a vida da vítima, caso a mesma se separasse dele e apresentasse queixas às autoridades pelos maus-tratos praticados durante a convivência em comum”.
Conforme detalhou a Polícia Judiciária (PJ), na quarta-feira, “quando a mulher estava a dormir, o suspeito, munido de uma faca, desferiu-lhe um golpe na zona abdominal, tentou sufocá-la e deixou-a inanimada, pensando que já se encontraria sem vida”.
“De seguida, agarrou nos seus pertences e no telemóvel da vítima, fechou a porta do quarto e acabou por fugir”, complementou.
No entanto, a mulher acordou no dia seguinte e, ao ver-se fechada em casa, “esteve algumas horas a bater na porta com o propósito de ser socorrida, o que veio a acontecer”.
“Os empregados de um restaurante na proximidade ouviram o barulho e chamaram a Guarda Nacional Republicana (GNR) e os bombeiros, que arrombaram a porta e conduziram a mulher ao hospital, onde ainda se encontra internada”, adiantou a PJ.
Ao fim de dias em fuga, o homem entregou-se “no posto da GNR do Bombarral, tendo sido formalizada a sua detenção através da Unidade Local de Investigação Criminal de Évora da PJ, na sequência de um mandado de detenção emitido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora”.
As autoridades apuraram também que “o casal terá um histórico de desentendimentos, que levou ambos a apresentar queixa por violência doméstica junto da GNR, com a diferença de um dia”.
Após ter sido presente a interrogatório judicial, e face ao perigo de fuga, de “continuação da atividade criminosa e de perturbação do inquérito, o Ministério Público promoveu aplicação da medida de coação de prisão preventiva, que mereceu a concordância do juiz de instrução criminal“.
As investigações continuam sob a direção do DIAP de Évora (2.ª Secção especializada) com a coadjuvação da PJ de Évora.
