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Com a assinatura de Vhils, o quadro oficial de Marcelo Rebelo de Sousa foi criado com uma colagem de jornais nacionais e estrangeiros, com notícias dos últimos 10 anos, os mesmos da sua Presidência.
Esboço do retrato de Marcelo, cedido ao jornal Expresso
Ateliê de Vhils/Expresso
O retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa, feito pelo artista plástico Vhils, vai ser apresentado ao país na próxima semana, revela o jornal Expresso. O quadro ficará no Museu da Presidência, em Belém.
O esboço do retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa foi cedido ao Expresso.
Segundo o semanário, o quadro oficial (que não foi visto pelos jornalistas do Expresso) daquele que ficará na memória como o “Presidente dos afetos” foi feito com uma colagem de jornais nacionais e estrangeiros, com notícias dos últimos 10 anos, os mesmos da Presidência de Marcelo.
O mandato de Marcelo Rebelo de Sousa termina a 9 de março.
O que se sabe sobre o processo?
Foi o Presidente da República que escolheu Vhils, nome artístico de Alexandre Farto, para o desenhar. Marcelo Rebelo de Sousa trocou as pinturas a óleo dos retratos presidenciais por arte de um artista de esquerda a partir de folhas de jornal.
Diz o Expresso que inicialmente Vhils recusou o convite, dizendo ser politicamente distante de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas o chefe de Estado acabou por convencer o artista.
O artista plástico português percebeu que o convite era “um reconhecimento” do seu trabalho. E, apesar de “não estar alinhado” com o Presidente Marcelo, reconhece que este foi um “baluarte de ponderação” e que “aproximou a presidência das pessoas”, além de conseguir trabalhar “com a esquerda e com a direita”.
De acordo com o Expresso, o artista foi ao Palácio de Belém, tirou várias fotografias a Marcelo Rebelo de Sousa e ‘encheu-o de perguntas’ para se questionar como o representaria no retrato.
Alexandre Farto garante ao Expresso que Marcelo Rebelo de Sousa não interferiu na criação do retrato – psicológico – nem fez exigências.
Retratos dos Presidentes
A ideia de criar uma galeria de retratos dos Presidentes da República surgiu no Estado Novo.
O retrato de António Ramalho Eanes é da autoria de Luís Pinto Coelho, o de Mário Soares foi feito por Júlio Pomar, o de Jorge Sampaio foi pintado por Paula Rêgo e o de Aníbal Cavaco Silva é de Carlos Barahona Possolo.
Tornou-se tradição os presidentes da República apresentarem os seus retratos oficiais apenas no fim do segundo mandato. O de Cavaco Silva foi divulgado em 4 de março de 2016, cinco dias antes de cessar funções.
