Apesar do presidente norte-americano afirmar que mais conversações com o Irão acontecerão esta sexta-feira, o maior porta aviões, USS Gerald R. Ford, já chegou a Haifa, a norte Israel.
Evelyn Hockstein/ Reuters
Os EUA e o Irão terminaram na passada quinta-feira mais uma ronda de negociações, em Genebra, para um acordo sobre o programa nuclear iraniano. Esta sexta-feira, Donald Trump afirmou não estar “satisfeito” com os progressos feitos na via diplomática, mas ainda não tomou uma “decisão final” quanto a uma possível intervenção militar no Irão.
“Não estou satisfeito com o facto de não nos quererem dar o que temos de ter. Não estou contente com isso. Vamos falar hoje. Não estamos propriamente satisfeitos com a forma como negociaram. “, começou por dizer o presidente norte-americano.
Segundo o líder da Casa Branca, o Irão não está disposto a abdicar das armas nucleares, conforme exigido pelos EUA. Questionado ainda sobre a possibilidade de uso de força, Trump elogiou o tamanho do exército norte-americano.
“Ainda não tomámos uma decisão final. Não podem ter armas nucleares. Temos o melhor exército do mundo, não há nenhum parecido. Gostava de não ter de o usar, mas às vezes tem de ser”, rematou.
EUA preparam-se para atacar?
Apesar do presidente norte-americano afirmar que mais conversações com o Irão acontecerão esta sexta-feira, o maior porta aviões, USS Gerald R. Ford, já chegou a Haifa, uma cidade no norte de Israel que alberga o maior porto do país e uma das mais importantes bases navais.
De acordo com o Canal 12 israelita, cerca de 20 aeronaves norte-americanas de reabastecimento aterraram no aeroporto de Ben Gurion no início da manhã desta sexta-feira, juntando-se aos mais de dez caças de F-22 da Força Aérea dos EUA, que aterraram em Israel na terça-feira.
Importante realçar que as negociações têm sido feitas sob ameaça militar norte-americana, que realizou a maior deslocação de tropas e meios militares desde a invasão do Iraque. Até ao momento, contabilizam-se dois porta-aviões, vários contratorpedeiros e dezenas de caças próximo do território iraniano.
Tendo em conta o ambiente de crescente tensão, três voos de Istambul para Teerão foram cancelados sem nenhum motivo apresentado. Além disso, diversos países já aconselharam os seus cidadãos a retirarem-se de Israel e Irão.
Também os Estados Unidos autorizaram a saída de pessoal não essencial e familiares de Israel devido a “riscos de segurança” acrescidos.
E a Europa?
A Itália já apelou aos seus cidadãos para deixarem o Irão caso a sua presença não seja estritamente necessária, recomendando cautela extrema em todo o Médio Oriente e desaconselhando viagens ao Iraque e ao Líbano.
Seguindo a mesma linha, a Polónia fez o mesmo apelo aos seus nacionais e destacou ainda, a possibilidade do espaço aéreo ser encerrado.
O Reino Unido já tomou algumas medidas mais significativas. Londres retirou temporariamente parte do pessoa diplomático e respetivas famílias de Telavive para outro local e encerrou temporariamente a embaixada no Teerão, por considerar que a situação pode “degradar-se rapidamente“.
“Como medida de precaução, transferimos temporariamente parte da nossa equipa e as suas famílias de Telavive para outro local em Israel. A nossa embaixada continua a funcionar normalmente”, anunciou em comunicado.
França e Alemanha recomendaram aos seus cidadãos esta sexta-feira, para evitar viagens não essenciais para Israel, Jerusalém e Cisjordânia. Paris recomenda ainda, aos cidadãos franceses já presentes na região que mantenham elevada vigilância, evitem manifestações e identifiquem abrigos de proteção.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão desaconselhou “com urgência” os cidadãos a viajarem tanto para Israel, como para Jerusalém Oriental.
O aviso que aparece aos viajantes alemães no site oficial do ministério aplicava-se até agora a certas partes do território israelita, devido aos conflitos com o Hamas na Faixa de Gaza e com o Hezbollah no Líbano.
O que está em causa?
Washington exige o fim do enriquecimento de urânio e a limitação do alcance dos mísseis iranianos, pontos que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no programa atómico em troca do levantamento das sanções em vigor.
O chefe da Organização de Energia Atómica do Irão, Mohammad Eslami, afirmou na semana passada que nenhum país pode privar Teerão do direito ao enriquecimento nuclear.
O Irão informou, entretanto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que responderá “de forma decisiva” em caso de ataque, apontando as bases dos EUA na região como alvos legítimos.
Israel está em alerta para uma possível retaliação do Irão, caso os Estados Unidos ataquem a República Islâmica, com a qual esteve em guerra em junho passado.
No final de 12 dias de ataques aéreos mútuos entre Israel e Irão, a aviação norte-americana bombardeou instalações ligadas ao programa nuclear iraniano.
