Portugal

Abrigo Noturno do Porto da AMI quase triplica apoio a estrangeiros

Dados da AMI indicam que as pessoas estrangeiras em situação de sem-abrigo em 2020 registadas no Abrigo do Porto representavam 10,3% dos utentes e que esse valor cresceu de forma contínua em 2021 (12,1%) e 2022 (17,5%), aumentando de forma mais expressiva em 2023 (23,5%), e atingindo o valor mais elevado em 2024, com 30%.

No ano de 2025 apesar de uma ligeira redução para 28,8%, o número de estrangeiros em situação de sem-abrigo é muito acima dos valores de 2020 (10,3%).

Em paralelo, a proporção de portugueses desce de 81% em 2020, para 70% em 2024, com uma pequena recuperação para 71,2% em 2025.

Em declarações à agência Lusa, a diretora do Abrigo do Porto da AMI, Suzete Santos, refere que o espaço acompanha a tendência nacional de aumento da representatividade da população estrangeira apoiada ao longo dos últimos anos.

“De forma geral, confirma-se uma mudança consistente no perfil de nacionalidade, tanto a nível local como nacional”, explicou.

Em 2025, o Abrigo Noturno do Porto da AMI apoiou 59 homens e, desse total, 42 (71,1%) são portugueses e 17 (28,8%) são estrangeiros.

Os homens estrangeiros em situação de sem-abrigo são oriundos, principalmente, da Roménia, Marrocos, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Brasil, Venezuela e Colômbia.

Da população estrangeira que o Abrigo do Porto apoiou em 2025, 22% estavam com situação regular, 5% com situação irregular e 1,7% com situação inconclusiva.

A maior parte da população que está a ter apoio no Abrigo são homens solteiros, divorciados, ou em união de facto e a maioria tem entre 30 e 66 anos.

Há em 2025 um aumento dos níveis de escolaridade e a maioria dos utentes tinha o 3.º ciclo (34%), seguindo-se o ensino secundário (29%), 2.º ciclo (18%) e o ensino superior 12%.

“Este ano, as pessoas em situação de sem-abrigo com o ensino superior foi de 12%, mas todos os anos tem estado a aumentar”, disse Suzete Santos.

Esta realidade explica-se por uma “acumulação de causas” que são transversais, independentemente dos estudos que as pessoas tenham.

Segundo a responsável, “90% das causas tem a ver com desemprego e precariedade no trabalho”, seguidas da ausência de suporte familiar, despejos e desalojamento.

“A insuficiência económica associação ao divórcio e à viuvez tem um peso de 25%, ou seja, estes homens também vão parar à situação de sem-abrigo, porque há um divórcio e deixam de poder suportar sozinhos a casa, empurrando-os para uma vida sem teto”.

Segundo dados apresentados no sítio oficial da Câmara do Porto, em 2024 foram registadas, no concelho, 553 pessoas na condição de sem-abrigo, enquanto que em 2023 eram registados 597 casos e em 2022 foram registados 647.

Na análise da naturalidade de 2024, 39,9% dos casos no concelho do Porto eram oriundos de outros municípios, 8,2% dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, 1,6% de países da União Europeia e 3,4% de outros locais.

Em 2024, a nacionalidade portuguesa era maioritária (88,4%), mas registou-se um aumento (+1,8%) de pessoas em situação de sem-abrigo vindas dos PALOP.

Questionada sobre os dados de 2025 das pessoas em situação de sem-abrigo, a Câmara do Porto adiantou que o relatório apenas estaria concluído no final do primeiro semestre de 2026.

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