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Saída da Ryanair pode custar até 165 milhões à economia dos Açores

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A saída da Ryanair dos Açores está prevista para março. Os empresários criticam a falta de profissionalismo do Governo Regional nas negociações e mostram-se céticos quanto à capacidade das restantes companhias de compensarem esta saída.

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Os empresários açorianos estimam que a saída da Ryanair, anunciada para março, venha a ter um impacto negativo na economia regional na ordem dos 165 milhões de euros, o que está a gerar preocupação quanto ao crescimento económico da Região.

De acordo com estimativas avançadas pelos empresários, a economia dos Açores poderá perder até 120 milhões de euros por ano com a saída da companhia aérea, valor que poderá atingir os 165 milhões quando considerados os impactos indiretos no setor do turismo.

Segundo um estudo realizado pela Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, a saída da Ryanair poderá traduzir-se também numa redução de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2026 nos Açores.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Gualter Couto, explica que “um turista, em média, fica nos Açores 3,3 dias, o que significa que estamos aqui a falar entre 340 a 390 mil dormidas que estão em causa com a saída da Ryanair”.

Acrescenta ainda que, tendo em conta que cada turista gasta em média 1036 euros na sua estadia, “isso vai-se refletir num impacto direto estimado entre os 100 a 120 milhões de euros”.

As estimativas deixam os empresários apreensivos, considerando que os efeitos da saída da Ryanair poderão não ser compensados pelas restantes companhias aéreas, apesar das garantias do Governo.

Gualter Couto refere que espera que as companhias de bandeira, como a SATA e a TAP, possam reforçar e lançar novas ofertas para os Açores, mas sublinha que “nunca vão colmatar a saída da Ryanair”, lembrando que, no passado, a saída da base da companhia teve repercussões negativas que não foram totalmente compensadas.

Os empresários açorianos acusam ainda o Governo Regional de falta de profissionalismo nas negociações relacionadas com o dossiê da Ryanair.

Segundo Gualter Couto, o Governo Regional deveria olhar para o turismo, que representa cerca de 20% da riqueza gerada nos Açores e é o maior empregador privado da região, defendendo que “este tipo de situações têm de ser geridas de forma extremamente profissional”, algo que considera não ter acontecido nestas negociações.

A Ryanair deixará de operar voos para os Açores no final de março.



SIC Noticias

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