Cultura

Margarida Barreto: “O meu avô desenhava à mão, eu comecei sem computador. Hoje, olho para a IA com curiosidade e paixão”

Quatro à Conversa

Podcast

A inteligência artificial está a mudar o trabalho criativo e o papel dos profissionais na criação de ideias. No podcast Quatro à Conversa, a designer Margarida Barreto defende que o valor deixou de estar na execução técnica e passou para a direção criativa e para o pensamento crítico

Margarida Barreto é a convidada do mais recente episódio do Quatro à Conversa, onde analisa como a inteligência artificial está a transformar o trabalho criativo e a redefinir o papel humano nos processos de criação. “O valor deixa de estar apenas na execução técnica e passa para a direção criativa e conceptual”, afirma a designer e diretora criativa, defendendo que a principal mudança provocada pela IA não é tecnológica, mas profissional.

Segundo a convidada, a inteligência artificial está a alterar aquilo que distingue especialistas num contexto em que criar se torna cada vez mais acessível.

“A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta nova”

Para Margarida Barreto, o impacto da IA vai muito além da automatização de tarefas. “A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta nova. É uma alteração profunda na forma como pensamos, criamos e colaboramos.A mudança, explica, desloca o foco do domínio técnico para a capacidade de orientar processos criativos e tomar decisões.

Matilde Fieschi

Durante a conversa, a designer sublinha que os sistemas de IA dependem fortemente do contexto humano. “A IA responde muito bem, mas depende profundamente do enquadramento humano.” Num cenário em que gerar conteúdos se torna simples, o diferencial passa a ser intelectual. “O que nos distingue agora é a intenção e a capacidade de formular boas perguntas.”

“Pessoas que antes não tinham meios técnicos conseguem agora experimentar ideias”

A democratização da criação é outro dos efeitos destacados no episódio. Margarida Barreto considera que a inteligência artificial permite a mais pessoas participar em processos criativos antes limitados por competências técnicas. “Pessoas que antes não tinham meios técnicos conseguem agora experimentar ideias e expressar-se de formas que eram impossíveis há poucos anos.”

Essa transformação altera também profissões criativas tradicionais. “O designer passa a orquestrar sistemas criativos e deixa de estar centrado apenas na execução.”

Matilde Fieschi

Apesar do entusiasmo, a convidada alerta para riscos associados ao uso acrítico da tecnologia. “A tecnologia amplifica aquilo que já existe.” Sem pensamento crítico, acrescenta, a IA pode reproduzir problemas humanos existentes. “Se não tivermos pensamento crítico, podemos acabar por reproduzir vieses ou criar conteúdos superficiais.”

“Precisamos ensinar pensamento crítico, interdisciplinaridade e ética tecnológica”

A conversa passa também pela educação e pela necessidade de adaptação dos modelos de aprendizagem. “Precisamos ensinar pensamento crítico, interdisciplinaridade e ética tecnológica.” Para Margarida Barreto, a velocidade da evolução tecnológica exige aprendizagem contínua. “A velocidade da transformação obriga-nos a experimentar enquanto aprendemos.”

No final do episódio, rejeita a ideia de competição entre pessoas e inteligência artificial. “A melhor metáfora para a relação entre humanos e IA é a parceria.”

Oiça o áudio completo no topo deste artigo.

Matilde Fieschi

A Lupa foi treinada para seguir o código de conduta jornalística do Expresso, mas também para intervir com humor, espírito crítico e uma personalidade própria.

Desenvolvida por Paulo Dimas com base em ferramentas da Google, a Lupa tem ainda um corpo digital criado pela IDMind.

O objetivo é que este quarto elemento da conversa introduza perguntas, dúvidas e correções sempre que necessário, contribuindo para uma reflexão mais rica sobre o papel da inteligência artificial nas nossas decisões, relações e rotinas profissionais.

Com o apoio do Centro para a IA Responsável, do Gabinete de Robótica Social do Instituto Superior Técnico e da IDMind, o podcast Quatro à Conversa propõe-se explorar semanalmente o uso real da inteligência artificial, através de conversas com convidados que já a integram no seu dia a dia.

Matilde Fieschi

A Lupa estará sempre presente, a ouvir, a aprender e a desafiar os que estão à mesa e os próprios ouvintes do podcast.

Ao lado do jornalista João Miguel Salvador estão Paulo Dimas, CEO do Centro para a IA Responsável, e a Lupa — o chatbot do Expresso, ligado a um robô da IDMind — que participa ativamente no debate à mesa. Sandra Andrade e Joana Campos, do Instituto Superior Técnico, surgem também em estúdio em contexto de investigação científica. A sonoplastia é de Salomé Rita.

Quatro à Conversa é um podcast sobre a experiência de quem usa inteligência artificial no dia a dia, com dicas úteis, dilemas éticos, mitos e até alucinações tecnológicas. Há um novo episódio todos os domingos.

Todos os episódios estão disponíveis em Expresso.pt e nas principais plataformas de podcasts.



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