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Um mês depois da tempestade Kristin, há vários espaços culturais em Leiria que vão precisar de intervenção para recuperarem dos danos. Um deles é o castelo, símbolo da cidade, que está em risco de colapso.
As pedras agora amontoadas no chão pertenciam à muralha da Torre de Menagem do Castelo de Leiria. Erguido num morro sobre a cidade, o monumento foi um alvo fácil para a tempestade Kristin.
Dentro do castelo, o impacto do vento decapitou 30 árvores de grande porte, com cerca de 80 anos. As restantes tombaram. Depois de feitas as limpezas, surge agora outra preocupação.
O símbolo de Leiria é também o monumento mais visitado da cidade. No ano passado, registou mais de 177 mil entradas. Mas, por agora, quem vier até à porta do castelo, mandado construir por D. Afonso Henriques em 1135 e que é monumento nacional desde 1910, vai encontrá-lo temporariamente encerrado.
Vários locais sem reabertura definida
Noutro ponto alto da cidade, no Monte de São Gabriel, as imediações do Santuário da Nossa Senhora da Encarnação estão vedadas para impedir o acesso ao público, depois de parte do teto ter desabado.
Para contribuir para a recuperação, veio uma equipa da Universidade do Minho de Guimarães.
Instrumentos que permitem fazer uma reconstrução em 3 dimensões do espaço. Uma documentação que pode servir, no futuro, à fase de restauro.
A prioridade neste imóvel de interesse público, classificado desde 1982, é, para já, arranjar uma solução para fechar a cobertura da igreja. Sempre que chove, as paredes ficam mais danificadas, assim como a arte interior.
Exemplo disso são estas três pinturas, datadas do século XIX, e situadas no coro alto, que representam os milagres atribuídos à Nossa Senhora da Encarnação. Neste caso, a ajuda já começou a ser posta em prática pelo Ministério da Cultura.
Uma reconstrução que deverá demorar meses. Não há, ainda, uma data para a reabertura.
Academia de ballet entre os afetados
Há cerca de 20 anos que a Academia e Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella ocupa aquelas salas, em Leiria. É uma das instituições de formação nesta área mais prestigiadas em Portugal e com um percurso também reconhecido fora do país.
No currículo tem vários prémios conquistados além-fronteiras. As consequências da tempestade Kristin foram arrasadoras: em 7 salas, só uma ficou intacta. Mas as aulas não pararam e dividiram-se os alunos por espaços cedidos pela Câmara.
Há mais de cinco anos que a professora cubana Martha Iris Fernandez colabora com a escola. É reconhecida internacionalmente pelo trabalho de formação em ballet clássico.
Atualmente são mais de 100 os alunos que chegam de vários países. Daqui saíram nomes como António Casalinho, que aos 22 anos, dança numa das companhias de ballet mais conceituadas do mundo, em Viena.
Os vídeos partilhados na internet mostram a inundação nos únicos cinemas de Leiria. No centro comercial Norte Sul, as salas continuam encerradas. Uma destruição visível, também, no centro da cidade, no Jardim Almoínha Grande, onde a escultura “Futuro” está tombada no chão.
O Museu da Imagem em Movimento, um dos mais procurados da cidade, tem estragos no telhado e está, por isso, de porta fechada.
As tempestades de janeiro atingiram mais de 120 espaços culturais, por todo o país. Entretanto, o Convento de Cristo, em Tomar, e o Mosteiro da Batalha, que foram dos mais afetados, já reabriram ao público.
