Portugal

MAI desmente notícia sobre salário de Luís Neves: "Verdade é oposta"


O Ministério da Administração Interna (MAI) negou, esta quarta-feira, que o ministro Luís Neves, nomeado para o cargo no passado dia 21 de fevereiro, tenha passado a receber mais 600 euros por mês do que recebia quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).

Em causa está uma notícia do jornal Tal & Qual, publicada esta quarta-feira, que dava conta de que “subida a ministro vale mais 600 euros por mês” a Luís Neves.

Segundo a notícia, citada pelo MAI, “ao aceitar o cargo de ministro da Administração Interna, Neves passa a ganhar 7.600 euros por mês, considerando salário e despesas de representação”, sendo “mais 608 euros por mês”.

Ora, segundo o ministério, a notícia “é falsa” e, na realidade, Luís Neves “perdeu 2.377 euros de vencimento”. 

“É falsa a notícia publicada no jornal Tal & Qual, segundo a qual o senhor ministro da Administração Interna aufere mais 600 euros do que no seu anterior cargo como diretor nacional da Polícia Judiciária”, começou por indicar o ministério agora tutelado por Luís Neves, numa publicação nas redes sociais. 

“A verdade dos factos é oposta. A diferença de vencimento entre a função de diretor nacional da Polícia Judiciária e a de ministro da Administração Interna representou uma perda de massa salarial de 2.377,37 euros. A desinformação é uma ameaça à Democracia”, atirou.

Luís Neves foi escolhido pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para substituir Maria Lúcia Amaral, que se demitiu de ministra da Administração Interna depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin, que assolou o país no final de janeiro.

Maria Lúcia Amaral pediu a demissão no passado dia 10, na sequência da passagem da depressão Kristin pelo território nacional continental, que causou vítimas mortais e uma grande devastação, sobretudo na região Centro.

Do ponto de vista político, a sua atuação estava a ser contestada pelos sindicatos representativos das polícias, por bombeiros e, após as tempestades, por autarcas e, principalmente, pelos partidos da oposição.

Na nota oficial sobre a sua demissão referia-se que Maria Lúcia Amaral entendeu “já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”.

O primeiro-ministro assumiu transitoriamente a pasta da Administração Interna.

A constitucionalista Maria Lúcia Amaral assumiu a pasta da ministra da Administração Interna em 05 de junho 2025, com a posse do XXV Governo, depois de ter estado oito anos à frente da Provedoria de Justiça, instituição responsável por receber queixas de cidadãos que vejam os direitos fundamentais violados.

Luís Neves desempenhava o lugar de diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) desde 2018. É licenciado em Direito, ingressou na PJ em 1995, após uma breve passagem pela advocacia.

Ao longo do seu percurso profissional na PJ, esteve sempre ligado à investigação criminal, em particular na esfera do crime violento e organizado, terrorismo e todas as formas de extremismo violento, rapto, sequestro, tomada de reféns, assalto à mão armada, tráfico de armas, tráfico de seres humanos, crimes cometidos com recurso a engenhos explosivos e crimes contra órgãos de soberania.

Antes, foi diretor da Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) e da extinta Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB).

António Leitão Amaro diz que as declarações do antigo primeiro-ministro “não foram discutidas” no Conselho de Ministros. Recorde-se que Passos Coelho considerou “um precedente grave” a passagem direta de Luís Neves de diretor nacional da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna.

Tomásia Sousa com Lusa | 16:25 – 26/02/2026



Noticias ao minuto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *