O ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerou, este sábado, que as suspeitas de violação e tortura que recaem sobre agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) da esquadra do Rato não colocam em causa a imagem da PSP.
“A PSP tem cerca de 20 mil mulheres e homens, que é gente fantástica, que todos os dias dá o melhor de si com rigor, brio, garra e a porta ao acrescento para o país e para as pessoas”, afirmou, em declarações aos jornalistas.
E acrescentou: “Não são alguns suspeitos da prática de crimes graves que colocam em causa a imagem de uma instituição mais que centenária e que tem dado muito ao país”.
O ministro e ex-diretor da Polícia Judiciária (PJ) dirigiu ainda uma palavra às vítimas, pedindo-lhes desculpa. “A polícia é sempre o ombro amigo, o porto de abrigo, sobretudo dos mais vulneráveis e das vítimas”, salientou.
De recordar que, na passada quarta-feira, dia 4 de março, sete agentes foram detidos por serem também suspeitos de tortura e violação, atos que terão ocorrido na esquadra do Rato, em Lisboa.
Este sábado, foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva aos sete polícias.
Um comunicado do Ministério Público e da PSP referiu que a aplicação da medida de coação mais gravosa surge fundamentada “no perigo de continuação da atividade criminosa, perturbação grave da tranquilidade e ordem públicas e perigo de conservação e aquisição da prova e em concordância com o promovido pelo Ministério Público”.
De notar que estes sete agentes da PSP juntam-se assim a outros dois polícias que estão em prisão preventiva após terem sido detidos em julho do ano passado numa investigação denunciada pela PSP.
Em janeiro, os dois agentes foram acusados de crimes de tortura, abuso de poder, violação, ofensas à integridade física, visando sobretudo toxicodependentes, pessoas sem-abrigo e estrangeiros.
Na acusação é referido que os dois agentes agrediam pessoas que tinham detido com “socos e chapadas e coronhadas na cabeça, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas”.
Um dos casos relatados é o de um cidadão marroquino que alegadamente terá sido sodomizado com um bastão por um dos arguidos e espancado e depois levado no carro patrulha e abandonado na rua.
Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes.
Já na ocasião, o MP admitia a constituição de mais arguidos e a identificação de mais casos no processo.
Na semana passada, o inspetor-geral deu conta que estão a decorrer na Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) três processos disciplinares sobre este caso, além de estar a investigar os polícias que assistiram aos vídeos partilhados pelos agentes sobre os alegados casos de tortura e violação na esquadra do Rato, tendo aberto um processo de inquérito em colaboração com a PSP.

