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“Mudar o regime não se faz com a eliminação de uma pessoa”, mas agora “talvez haja esperança”


Ataques Irão

Entrevista SIC Notícias

Em entrevista à SIC Notícias, Kasra Mostofi, iraniano a viver em Portugal, afirma que o povo iraniano aspira a algo simples: “uma vida normal”, semelhante à que encontrou em Portugal.

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Kasra Mostofi, iraniano a viver em Portugal, defende que a morte de Ali Khamenei não é o suficiente para uma mudança no regime, mas acredita que a situação, apesar de “trágica”, pode trazer alguma “esperança”.

“Há uma mistura de sentimentos”, afirma, em entrevista à SIC Notícias.

“Tristeza, raiva e, em alguns casos, até algum alívio ou felicidade”.

Ainda assim, sublinha que a queda ou desaparecimento de uma única figura não é suficiente para provocar uma mudança estrutural no país. Para que haja uma verdadeira transformação, defende, será necessária uma “mudança política profunda”.

“Durante muitos anos as pessoas tentaram mudar o sistema de forma pacífica, mas muitas vezes a resposta foi repressão”, explica.

“Não é algo que pode acontecer de um dia para o outro”. Qualquer transformação, acrescenta, exigirá tempo, paciência e também apoio da comunidade internacional.

Mesmo estando em Portugal, o investigador mantém contacto com familiares e amigos no Irão, embora admita que a comunicação seja limitada pelas restrições e falhas frequentes na internet.

A situação, diz, é “muito trágica”, mas garante que muitos dos seus familiares mantêm esperança. Apesar do medo e da tensão provocados pelo contexto político e militar, continuam a acreditar que o país atravessa um momento histórico que poderá abrir caminho a mudanças profundas.

“Há muito stress, naturalmente”, explica. “Mas muitas pessoas sentem que este pode ser um ponto de viragem na nossa história”.

Quando questionado sobre qual seria o melhor cenário para o futuro do Irão, Mostofi defende um sistema democrático em que os cidadãos possam escolher livremente os seus representantes através do voto, num modelo em que religião e governo estejam separados.

Acima de tudo, conclui, os iranianos aspiram a algo simples: “uma vida normal”, semelhante à que encontrou em Portugal.



SIC Noticias

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