O advogado, antigo ministro da Presidência e dirigente do PSD Nuno Morais Sarmento morreu hoje, aos 65 anos.
“Portugal perde uma personalidade relevante da sua vida democrática, que tinha ainda muito a acrescentar e a contribuir para a sociedade portuguesa”, sublinhou o chefe do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, numa nota enviada às redações.
Nuno Morais Sarmento “era também um amigo dos Açores, mantendo uma relação de proximidade e atenção às realidades da Região, bem como ao contributo dos açorianos para a projeção de Portugal no espaço atlântico”, é referido ainda na nota da presidência do Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM).
José Manuel Bolieiro recordou Nuno Morais Sarmento como “um homem de pensamento claro, grande inteligência e profundo sentido de serviço público”, acrescentando que “a sua intervenção cívica e política foi sempre marcada pela elevação do debate público e pelo respeito pelas instituições democráticas”.
Ao longo da sua carreira “afirmou-se como um interveniente atento e comprometido com o debate democrático, pautando a sua ação pelo sentido de Estado e pela defesa das instituições”, é realçado ainda.
Mais recentemente, enquanto Presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), “continuou a prestar um contributo significativo para o reforço das relações entre Portugal e os Estados Unidos da América. Nesse contexto, reconheceu de forma clara a importância geopolítica e geoestratégica dos Açores no Atlântico, valorizando o papel da Região no aprofundamento das ligações transatlânticas”, acrescenta a nota.
“Neste momento de tristeza”, o chefe do executivo açoriano, em seu nome pessoal e em nome do Governo dos Açores, “apresenta à família, amigos e a todos quantos com ele privaram as mais sentidas condolências”, lê-se na nota.
Nuno Morais Sarmento foi ministro da Presidência do XV Governo, chefiado por José Manuel Durão Barroso, entre 2002 e 2004, e depois ministro de Estado e da Presidência, também com a tutela dos Assuntos Parlamentares, do XVI Governo chefiado por Pedro Santana Lopes, até 2005 – dois executivos de coligação PSD/CDS-PP.
No PSD, foi vice-presidente nas direções de Durão Barroso – que sucedeu a Marcelo Rebelo de Sousa na ldierança do partido – e, mais recentemente, de Rui Rio.
Teve nos últimos anos um cancro no pâncreas que obrigou a prolongadas hospitalizações e várias cirurgias. Depois disso, foi presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) entre agosto de 2024 e janeiro deste ano, quando apresentou a demissão invocando falta de condições pessoais e de saúde.
Nuno de Albuquerque de Morais Sarmento, nascido em Lisboa, em 31 de janeiro de 1961, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, em 1984, com uma pós-graduação em Direito Comunitário, pelo Centro de Estudos Europeus da Universidade Católica Portuguesa, em 1996.
Foi também assessor da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, membro fundador da Comissão Nacional de Proteção de Dados, membro do Conselho Superior do Ministério Público e da Autoridade de Controlo Comum de Schengen.
Leia Também: Morais Sarmento “deixa marca de moderação, lealdade e serviço público”
