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“Não apoio as ações do meu país”: mulher que levou o cartaz da Ucrânia nos Jogos de Inverno é russa


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Anastasia Kucherova vive em Milão há 14 anos e foi ela quem escolheu carregar o cartaz da equipa ucraniana. A aparição na cerimónia de abertura das Olimpíadas foi um gesto simbólico de apoio à Ucrânia.

Petr David Josek / AP

Anastasia Kucherova é a cidadã russa que segurou a placa da Ucrânia durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos Milão-Cortina, no Estádio San Siro. A voluntária contou que aproveitou a ocasião para demonstrar, simbolicamente, o seu apoio à Ucrânia e a condenação das ações da Rússia na guerra.

“Escolhi representar a Ucrânia, ser a ‘porta-placard’ da Ucrânia, porque tenho apoiado a Ucrânia desde o início do conflito com a Rússia. Apesar de ser uma cidadã russa, não apoio as ações do meu país, desde 2014, na verdade, quando começou a anexação ilegal e ultrajante da Crimeia”, contou Kucherova numa entrevista à Associated Press.

Mesmo com um casaco prateado comprido e de óculos escuros, vários atletas ucranianos perceberam que Anastasia Kucherova era russa e, inclusive, falaram com ela em russo. Para a arquiteta, que vive em Milão, na Itália, há 14 anos, isto foi um sinal de “uma ligação profunda” entre os dois povos, que “obviamente poderia continuar a existir se não fosse a guerra”.

Andrea Rosa / AP

Inicialmente, a atribuição dos países para cada voluntário seria aleatória, mas Kucherova contou que fez questão de demonstrar a sua preferência em carregar o cartaz da Ucrânia.

“Tenho sido contra [o conflito] e penso que a Ucrânia merece toda a atenção e todo o apoio do mundo. Foi por esta razão que quis ficar do lado deles, mesmo que seja bastante difícil na minha posição, porque quando se caminha ao lado destas pessoas, percebe-se que elas têm todo o direito de sentir ódio por qualquer russo.”

“Ainda assim, acho importante fazer até mesmo uma pequena ação para mostrar que talvez nem todas as pessoas pensem da mesma forma”, contou ainda à AP.

Andrea Rosa / AP

Foi também a cidadã russa que ajudou a encaminhar cinco atletas ucranianos ao Estádio San Siro, em Milão.

“Senti que era algo que devia aos ucranianos e também aos meus amigos russos. Não podia falar naquele momento, mas podia andar e fazer alguma coisa com este pequeno gesto”, acrescentou Anastasia Kucherova.



SIC Noticias

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