Portugal

Linha nacional de prevenção do suicídio atendeu mais chamadas no Natal

“O período do Natal é naturalmente um período de festa nas famílias, de reencontros, mas também é um período que pode ser um período de saudade, um período de maior conflitualidade e um período de maior isolamento para as pessoas que estão sem família e isso pode aumentar de facto o número dos pedidos de ajuda”, disse à Lusa José Carlos Santos, a propósito do serviço de apoio que faz seis meses desde que está em funcionamento, na quarta-feira.

Desde de que entrou em funcionamento no dia 10 de setembro até à segunda-feira passada, a linha atendeu 12.172 chamadas, sendo que os meses de novembro (2.041), dezembro (2.309) e janeiro (2.441) receberam no total de 6.791 telefonemas.

José Carlos Santos referiu que outra razão para o maior número de telefonemas para a linha, com o objetivo de prevenir o suicídio e comportamentos auto lesivos, nesses meses pode ter sido a realização de uma campanha publicitária nesse período.

Nos meses antes e depois da época festiva o número de chamadas registado no serviço de apoio gratuito, que funciona 24 horas por dia e 365 dias por ano, foi mais reduzido.

Em setembro do ano passado foram atendidas 1.221 chamadas e em outubro esse número subiu para as 1.609.

Em fevereiro de 2026, foram atendidas 1.945 chamadas e desde do dia 1 de março até à segunda-feira passada foram registados 606 telefonemas no serviço de apoio.

José Carlos Santos disse que ainda não existe ainda um estudo sobre os efeitos da linha 1411, mas referiu que utentes da linha já ligaram de volta a agradecer a ajuda.

“Os nossos profissionais que estão a atender, referem que muitas vezes as pessoas ligam a reportar e a agradecer a intervenção que tiveram quando ligaram anteriormente para a linha numa situação de crise”, disse o responsável.

De acordo com José Carlos Santos, cerca de 340 situações foram encaminhadas para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), sendo que a alternativa de encaminhamento é a linha de apoio psicológico.

O coordenador da linha disse também que 60% das pessoas que ligaram para o serviço de apoio pertencem ao sexo feminino, indicando que “as mulheres têm mais facilidade em pedir ajuda” do que os homens.

“Era muito relevante que os homens ligassem para a linha e que se libertassem de alguns preconceitos que às vezes existem”, destacou o responsável, acrescentando que pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, mas sim de “uma maior capacidade para se auto cuidar”.

Em Portugal há cerca de 1.000 suicídios por ano, sendo que há quatro suicídios de um homem para um suicídio de uma mulher, segundo o responsável do serviço de apoio com 74 profissionais com formação em suicidologia, divididos entre psicólogos clínicos e enfermeiros especialistas em enfermagem de saúde mental.

José Carlos Santos referiu ainda que cerca de 40% das pessoas que ligaram para a linha têm entre os 18 e os 29 anos, indicando que as campanhas realizadas através de vídeos tiveram maior alcance nesta faixa etária.

“As pessoas mais afetadas e que tiveram mais acesso à campanha pode ter sido gente predominantemente mais nova”, acrescentou referindo que vai tentar realizar uma campanha direcionada para “pessoas com mais idade”.

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