O governo australiano ofereceu asilo à seleção feminina do Irão, mas apenas cinco aceitaram a proposta. A restante comitiva regressou ao país e pode enfrentar pena de morte por terem recusado cantar o hino nacional antes de um jogo da Taça da Ásia.
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Um grupo de manifestantes ainda tentou impedir a saída da seleção feminina iraniana de futebol do hotel para o aeroporto, na Austrália. No autocarro, que transportava a equipa, seguida toda a comitiva, à exceção de cinco jogadoras.
Depois de a equipa ter sido eliminada da Taça da Ásia, o regresso ao Irão passou a ser visto por algumas atletas como uma sentença de morte. As cinco jogadoras decidiram fugir e procurar proteção. Sabe-se agora que foram acolhidas pelo governo australiano.
“Ficou claro que havia cinco mulheres que queriam permanecer na Austrália. Foram levadas para um local seguro pela Polícia Federal Australiana e, ontem à noite, encontrei-me com elas. Aproveitei para apoiar os pedidos de vistos humanitários. São bem-vindas para ficar na Austrália, estão seguras aqui e devem sentir-se em casa”, afirmou Tony Burke, ministro australiano.
Apesar da fuga das cinco atletas, o autocarro da equipa podia ter chegado ainda mais vazio ao aeroporto. O governo australiano deixou claro que outras jogadoras podiam seguir o mesmo caminho.
“Digo aos outros membros da equipa que a mesma oportunidade existe. A Austrália acolheu a seleção feminina iraniana nos nossos corações. Estas mulheres são extremamente populares aqui, mas percebemos que estão a enfrentar decisões extremamente difíceis”, acrescentou Tony Burke.
No final, nenhuma outra jogadora desistiu de embarcar, mas a pressão para ficarem instalou-se no aeroporto. Manifestantes empunhando a bandeira iraniana pré-revolução islâmica tentaram impedir um regresso ao regime que governa o país desde 1979.
Esta sentença tem sido defendida em vários órgãos de comunicação do Irão. Pela primeira vez na Taça da Ásia, a seleção das mulheres iranianas recusou cantar o hino antes do jogo de estreia, um gesto que ocorreu um dia depois de terem começado os ataques no país.
