Mundo

Portugueses pagam milhares de euros para sair da Tailândia após cancelamentos de voos


Ataques Irão

Os viajantes queixam-se dos preços exorbitantes praticados pelas companhias aéreas, com alguns a pagarem entre 2.000 a 7.000 euros por pessoa para regressarem a casa. O Ministério dos Negócios Estrangeiros esclarece que não está prevista qualquer operação de repatriamento.

Loading…

Mais de uma centena de portugueses estão retidos na Tailândia e pedem ajuda ao Governo, queixando-se sobretudo dos elevados preços praticados pelas companhias aéreas para regressar a Portugal.

Os bombardeamentos no Irão provocaram perturbações no espaço aéreo internacional e originaram cancelamentos e atrasos em vários voos. A Tailândia não foi exceção.

Rui e Beatriz são dois dos portugueses afetados. O voo de regresso, que tinham marcado para dia 3, foi cancelado. A companhia reagendou a viagem para dia 6, depois para dia 7, mas ambos os voos acabaram também por ser anulados. Mais tarde, foi-lhes proposta uma nova data apenas a partir do dia 19 de março.

“Decidimos que não podíamos esperar mais e acabámos por comprar voos por conta própria”, contou Rui.

Retidos em Banguecoque, os dois acabaram por pagar cerca de 2.000 euros cada um por uma nova viagem de regresso a Portugal, com escala na Coreia do Sul, um preço que consideram relativamente baixo face a outras situações.

“Conheço um casal que estava connosco numa ilha e que teve de pagar sete mil euros para conseguir voltar para Portugal”, relatou José Soares.

Também o voo de regresso de José foi adiado duas vezes. Após o segundo cancelamento, recebeu um e-mail automático da companhia aérea a informar que seria feito o reembolso.

“No entanto, aceitar o reembolso é o pior que os portugueses podem fazer aqui, porque deixa de haver qualquer responsabilidade da companhia. No fundo, é uma forma de reduzir as suas responsabilidades”, explicou.

José recusou o reembolso e continua na Tailândia. Entretanto, conseguiu um novo voo para dia 17.

“Vou voar de Banguecoque para Abu Dhabi, com uma escala de uma hora e meia, e depois seguir para Madrid. Mesmo assim, o embarque é muito pouco improvável”, disse José Soares.

Beatriz e Rui organizaram a viagem de férias por conta própria, sem recorrer a uma agência. Segundo dizem, há também portugueses que reservaram através de agências de viagem e que continuam sem respostas.

“Algumas pessoas tiveram um pouco mais de apoio em relação a hotéis, mas no que toca às companhias aéreas a situação tem sido horrível”, afirmou Beatriz.

Estima-se que, pelo menos, 120 portugueses estejam atualmente na mesma situação. Muitos criticam a atuação das companhias aéreas e das agências de viagem.

Alguns dos viajantes já foram recebidos pelo embaixador de Portugal em Banguecoque, a quem pediram apoio para resolver a situação.

Contactado pela SIC, o Ministério dos Negócios Estrangeiros garante estar em contacto permanente com as entidades locais e com as companhias aéreas. No entanto, afirma que, para já, nada mais pode fazer e esclarece que não está prevista qualquer operação de repatriamento, uma vez que a Tailândia não se encontra em situação de guerra.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *