Portugal

Arguido por espionagem após roubo a militar da NATO para vender à Rússia

Um jovem de 23 anos foi constituído arguido pela prática do crime de espionagem (entre outros) na forma tentada. O homem furtou um dispositivos pertencentes a membros da NATO e da Marinha sueca, com o intuito de vender informação à Federação Russa.

Em comunicado, o Ministério Público (MP) que entre os dias 3 e 7 de fevereiro do ano passado, decorreu na Escola da Base Naval de Lisboa, em Almada, a Conferência Inicial de Planeamento. No evento participaram cerca de 300 pessoas, sendo, na sua maioria, militares.

A conferência, note-se, “detinha uma relevância tática considerável para a NATO e seus aliados, como Portugal, sendo as matérias ali tratadas apetecíveis para serviços de informação estrangeiros estranhos à NATO, tais como os da Federação da Rússia”.

“O principal arguido tomou conhecimento da realização da referida conferência” numa data que a acusação ainda não conseguiu determinar, e “instalou-se em hotel, na zona de Lisboa, onde ficaram alojados os militares da NATO”.

O homem, “que fazia da prática de furtos modo de vida”, conseguiu apropriar-se de um computador e de um IPAD pertencentes à NATO e à marinha sueca, que estavam afetos a um militar da aliança transatlântica.

“Convicto de que tinha matérias secretas e classificadas em seu poder, tentou aceder ao respetivo conteúdo e copiá-lo e pretendeu colaborar com a Federação Russa, procurando vender o respetivo conteúdo a seus agentes ou colaboradores”, pode ler-se na acusação. 

Para isso, o suspeito dirigiu-se para “junto da Embaixada da Federação Russa, em Lisboa”, mas acabou por não conseguir vender a informação. 

Durante a investigação, lê-se ainda no comunicado, o arguido chegou a mostrar-se disponível para colaborar com as autoridades, dizendo que existia uma organização criminosa de espionagem e violação de segredo de justiça, de que fazia parte juntamente com outras onze pessoas, que incluíam até um inspetor da Polícia Judiciária.

“No entanto, de acordo com os indícios probatórios reunidos no inquérito, essa versão factual não tinha qualquer correspondência com a realidade e não passou de um mero artifício usado pelo arguido com o objetivo de tirar o foco da investigação de si próprio”, esclareceu a PGR.

Além do crime de espionagem na forma tentada, o jovem de 23 anos foi acusado, no dia 12 de fevereiro, de três crimes de furto qualificado, dois crimes de uso de documento de identificação ou de viagem alheio, um crime de falsas declarações, um crime de pornografia de menores, dois crimes de condução sem carta e onze de denúncia caluniosa. Segundo o NOW, o jovem trata-se de Miguel Rodrigues.

O jovem está em prisão preventiva e foi sujeito a proibição de contatos e este processo tem ainda outros dois arguidos, que estão acusados de furto qualificado e sujeitos a termo de identidade e residência.

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