O Ministério Público (MP) está a investigar a morte de um militar de 23 anos que morreu durante exercício no âmbito do Curso de Operações Especiais do Exército, que decorria a 26 de janeiro. A atividade acontecia de noite no rio Balsemão, em Lamego, no distrito de Viseu, numa altura em que já se sentiam os efeitos da depressão Joseph.
A informação foi avançada pelo Observador e confirmada ao Notícias ao Minuto pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PGR confirmou que “na sequência do óbito foi instaurado um inquérito, cuja investigação é dirigida pelo Ministério Público de Lamego com a coadjuvação da Polícia Judiciária Militar.”
A vítima, o alferes João Cardoso, estaria a tentar atravessar o rio através de uma ponte de cordas quando foi arrastado pela corrente. O alerta foi dado às 23h39 e as buscas, de acordo com a Proteção Civil, decorreram toda a noite, apesar da “muito forte”. O corpo foi encontrado às 8h50.
Na altura, a Proteção Civil indica ainda que tudo indicava que teria “havido um movimento de massas.”
A vítima tinha 23 anos e nasceu em Mafra, a 5 de setembro de 2002. O militar jogou andebol no Clube Desportivo de Mafra entre 2016 e 2020.
Um despacho de 1 de outubro de 2025, publicado em Diário da República a 20 de outubro de 2025, indica que João Rafael Paulino dos Santos Cardoso integrava os Quadros Permanentes do Exército Português, na categoria de Oficiais.
Já na altura, o Exército anunciou que tinha aberto “um processo de averiguações para apurar todas as circunstâncias do ocorrido, em articulação com as autoridades competentes”, tendo a PJM sido informada e, assim, “ativados os mecanismos de apoio à família do militar, incluindo acompanhamento psicológico.”
“O Exército lamenta profundamente o sucedido e apresenta sentidas condolências à família, amigos e camaradas do militar”, indicava uma nota emitida então, na qual era frisado que o exército prestaria “informação adicional logo que existam factos novos confirmados, salvaguardando a privacidade da família e a proteção de informação operacional.”
Na altura, Bloco de Esquerda (BE) pediu esclarecimentos ao Ministério da Defesa sobre as circunstâncias da morte. “Perante a gravidade dos factos, e a reincidência de incidentes fatais em contextos de instrução militar, torna-se imperativo o escrutínio público sobre o cumprimento dos protocolos de segurança e a gestão de risco em condições meteorológicas extremas”, justificou o deputado único do BE, Fabian Figueiredo.
A 25 de fevereiro, o Ministério da Defesa, tutelado por Nuno Melo, dava conta de que “a atividade se encontrava regularmente autorizada, com as respetivas medidas de segurança previstas, tendo a respetiva cadeia de comando envolvida – chefe de estação, comando da companhia e diretor de curso.”
