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A corrida ao Óscar de “Melhor Filme” volta a ganhar força e a ser o centro das atenções dentro e fora de Hollywood. Mais uma vez, 10 longas‑metragens disputam a estatueta mais cobiçada da indústria cinematográfica. Entre obras que conquistaram o público, favoritos da crítica e algumas surpresas pelo caminho, a decisão será conhecida no próximo domingo, 15 de março, no Dolby Theatre do Ovation Hollywood, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Até lá, fique a conhecer os filmes nomeados, as suas histórias e onde os pode ver.
1. “Sinners” (Ryan Coogler)
Lançado em abril do ano passado, foi a longa-metragem que arrecadou o maior número de nomeações para os Óscares deste ano, com um total de 16 indicações, ultrapassando o recorde anterior de 14, estabelecido por filmes como “All About Eve”, “Titanic” e “La La Land”.
A longa-metragem, que combina elementos musicais, de terror e ação, é protagonizada por Michael B. Jordan, que interpreta dois irmãos gémeos, ‘Smoke’ e ‘Stack’. Apesar da semelhança física, os personagens têm personalidades muito diferentes, o que constitui o eixo central da narrativa.
O filme decorre na década de 1930, quando os dois irmãos regressam à sua cidade natal na esperança de recomeçar uma nova vida, mas acabam confrontados tanto com as consequências dos seus próprios atos como com forças que não estão sob o seu controlo.
“Sinners”, realizado por Ryan Coogler, soma prémios nos Critics’ Choice Awards, Golden Globes, BAFTA e SAG Awards, num percurso sólido nas principais cerimónias que antecedem os Óscares e que muitas vezes ajudam a antecipar o desfecho final.
- Onde assistir em Portugal: plataforma de streaming HBO Max.
2. “One Battle After Another” (Paul Thomas Anderson)
Inspirado livremente no romance Vineland, do escritor Thomas Pynchon, o filme revisita a herança cultural e ideológica dos movimentos radicais que marcaram os Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970.
Nomeado para 14 categorias, a longa-metragem centra-se na história de um antigo ativista que tenta reconstruir a sua vida enquanto enfrenta as consequências do passado.
O protagonista é interpretado por Leonardo DiCaprio, numa performance que mistura humor e paranoia. Ao seu redor, Paul Thomas Anderson constrói um “mosaico de personagens” que representam diferentes gerações e visões do idealismo americano.
- Onde assistir em Portugal: o filme encontra‑se (até à data deste artigo) em exibição em várias salas de cinema por todo o país.
3. “Marty Supreme” (Josh Safdie)
Marty Supreme, realizado por Josh Safdie, conhecido pelo cinema nervoso e caótico que criou com o irmão, conta com nove nomeações à estatueta dourada.
Aqui, o centro da história é Marty Mmauser, interpretado por Timothée Chalamet, uma figura carismática e obsessiva que tenta transformar o ténis de mesa competitivo num fenómeno mediático.
Inspirado em personagens reais do circuito norte-americano da modalidade, o filme retrata um mundo onde o desporto se mistura com espetáculo, marketing e ego.
A narrativa acompanha a ascensão e queda deste protagonista excêntrico, cuja ambição ilimitada o leva a ultrapassar constantemente os limites da razoabilidade. O estilo visual acompanha essa intensidade: câmaras próximas dos atores, ritmo frenético e diálogos carregados de tensão.
- Onde assistir em Portugal: o filme encontra‑se (até à data deste artigo) em exibição em várias salas de cinema por todo o país.
4. “Frankenstein” (Guillermo del Toro)
Dirigido por Guillermo del Toro, “Frankenstein” também figura entre os três filmes que conquistaram nove nomeações aos Óscares. Mais do que uma obra cinematográfica, é também a obra de vida do realizador mexicano, que sempre sonhou criar o seu próprio “monstro gótico”.
Considerada por muitos a adaptação cinematográfica mais fiel ao clássico escrito por Mary Shelley em 1818, o filme retrata a trágica história do estudante Victor Frankenstein (Oscar Isaac), que dedica anos à criação de uma criatura (Jacob Elordi) a partir de partes de cadáveres.
A dedicação e a obsessão dão lugar a um sentimento de repulsa quando finalmente atinge o seu objetivo, acabando por rejeitar a sua própria criação. A partir daí, o filme mergulha numa espécie de contradição trágica da imortalidade, revelando como a vida eterna se transforma num fardo insuportável para o criador e a criatura.
O elenco conta ainda com nomes como Mia Goth, Christoph Waltz, Felix Kammerer, Charles Dance e David Bradley, além de ter conquistado prémios nos Critics Choice, BAFTA e Actors Awards.
- Onde assistir em Portugal: plataforma de streaming Netflix.
5. “Sentimental Value” (Joachim Trier)
Igualmente com nove nomeações, entre elas não só “Melhor Filme” como também “Melhor Filme Internacional”, “Sentimental Value” coloca o espectador no centro de um drama familiar realizado pelo dinamarquês Joachim Trier.
Após uma separação matrimonial que afastou Gustav Borg (Stellan Skarsgård), um realizador de cinema, das suas duas filhas, a morte da ex‑mulher traz de volta à superfície o fantasma das ausências e das escolhas que moldaram a família.
Na tentativa de recuperar a carreira e, ao mesmo tempo, reconstruir a relação com as filhas,, Gustav oferece a Nora (Renate Reinsve) um papel no seu próximo filme: uma obra inspirada numa tragédia vivida pela própria família e que seria filmada na antiga casa familiar.
Ressentida pela ausência prolongada do pai, Nora recusa o convite. O papel acaba então por ser entregue a uma estrela de cinema americana (Elle Fanning), cuja presença introduz uma nova tensão na já frágil dinâmica familiar.
- Onde assistir em Portugal: o filme encontra‑se (até à data deste artigo) em exibição em várias salas de cinema por todo o país.
6. “Hamnet” (Chloé Zhao)
A literatura volta a servir de base para uma longa‑metragem que reuniu oito nomeações aos Óscares. Realizado por Chloé Zhao, o filme adapta o romance homónimo de 2020 da escritora irlandesa Maggie O’Farrell, que recria de forma ficcionada a relação entre William Shakespeare e a sua mulher, bem como o luto real que ambos enfrentam após a morte repentina do filho Hamnet, aos 11 anos, em 1596.
Escrita apenas alguns anos após a morte do único filho varão de Shakespeare, a tragédia “Hamlet” (escrita entre 1599 e 1601) é frequentemente interpretada como um reflexo da perda e do luto do autor, marcada por temas de dor, ausência e dificuldade em aceitar a morte.
Na época de Shakespeare, “Hamnet” e “Hamlet” eram usados quase como variantes do mesmo nome, o que reforça para muitos a ideia de que a morte do filho pode ter influenciado profundamente a criação de uma das obras mais influentes da literatura mundial.
A adaptação para o grande ecrã, que conta com Paul Mescal no papel de Wiliam Shakespeare e Jessie Buckley como a sua mulher, Agnes, valeu à atriz irlandesa o prémio de “Melhor Atriz” nos Critics Choice Awards e nos Golden Globes, sendo apontada como a favorita ao mesmo galardão nos Óscares.
- Onde assistir em Portugal: o filme encontra‑se (até à data deste artigo) em exibição em várias salas de cinema por todo o país.
7. “Bugonia” (Yorgos Lanthimos)
Depois do enorme sucesso de “Poor Things” (2023), é “Bugonia” o filme que volta a colocar o realizador grego Yorgos Lanthimos na corrida ao prémio mais cobiçado dos Óscares, ao arrecadar quatro nomeações.
A longa-metragem é protagonizada pela sua grande musa, Emma Stone, também nomeada para “Melhor Atriz”, além do ator Jesse Plemons, com quem já tinha contracenado em “Kinds of Kindness” (2024).
“Bugonia” é uma comédia de humor negro que dá vida a um novo remake do filme sul‑coreano “Save the Green Planet!” (2003). A nova versão segue dois jovens dominados por teorias da conspiração, convencidos de que forças extraterrestres estão prestes a tomar conta do planeta.
Movidos por essa obsessão, os dois decidem sequestrar a CEO de uma poderosa empresa, que acreditam ser uma alienígena infiltrada com a missão de destruir a Terra. Ao longo de cerca de duas horas, o filme explora a fronteira entre paranoia, fantasia e violência, construindo um universo inspirado no mundo atual.
- Onde assistir em Portugal: o filme encontra‑se, até à data deste artigo, em exibição apenas em salas de cinema selecionadas. Está ainda disponível para aluguer ou compra nas plataformas Prime Video e Apple TV.
8. “F1″ (Joseph Kosinski)
Protagonizado por Brad Pitt, o filme, que surge com quatro nomeações, acompanha Sonny Hayes, um antigo prodígio da Fórmula 1 que regressa às pistas décadas depois para ajudar uma equipa em dificuldades e orientar um jovem piloto promissor.
Grande parte das cenas foi filmada em circuitos reais do campeonato, com equipas e pilotos a colaborarem diretamente na produção.
A presença do heptacampeão Lewis Hamilton como produtor contribuiu para garantir autenticidade técnica, desde os detalhes das garagens até à dinâmica das corridas.
O resultado é um filme que procura transportar o espetador para dentro do monolugar, apostando numa experiência visual e sonora imersiva.
9. “O Agente Secreto” (Kleber Mendonça Filho)
Depois do sucesso de “Ainda Estou Aqui” (2025), de Walter Salles, este ano foi a vez do realizador Kleber Mendonça Filho levar o país do sol, samba e bossa nova até Hollywood. Com quatro indicações, “O Agente Secreto” garantiu ainda a nomeação de Wagner Moura para “Melhor Ator”, tornando-o o primeiro ator brasileiro a alcançar esta distinção.
Embora não seja baseado numa história verídica, há algo profundamente real na longa‑metragem: a recriação da vida no Brasil da década de 1970, em pleno período da ditadura militar.
Inspirado em lendas urbanas como a “Perna Cabeluda”, bem como em locais e figuras reais, o filme acompanha a história de “Marcelo”, um professor universitário, viúvo e pai, que regressa à sua terra natal, o Recife, na tentativa de escapar a um passado atribulado.
“O Agente Secreto” surge como uma crítica a um Brasil marcado pela censura, pela tortura, pelo exílio e pelas prisões políticas, sem deixar de apontar na direção de um país que continua a lidar com as sequelas deixadas pelo bolsonarismo.
- Onde assistir em Portugal: o filme encontra‑se, até à data deste artigo, em exibição apenas em salas de cinema selecionadas.
10. “Train Dreams” (Clint Bentley)
Inspirado na novela homónima de 2011 escrita por Denis Johnson, “Train Dreams” conquistou quatro nomeações aos Óscares.
Realizado por Clint Bentley, este drama de época mergulha na história de Robert Grainier (Joel Edgerton), um lenhador e trabalhador ferroviário no início do século XX. A narrativa acompanha a sua vida marcada pelo amor, pela perda, pela relação com a natureza e pelo peso do trabalho, numa época caracterizada por profundas transformações na sociedade norte‑americana.
Com narração do ator Will Patton, o filme conta com um elenco que inclui Felicity Jones, Nathaniel Arcand, Clifton Collins Jr., John Diehl, Paul Schneider, Kerry Condon e William H. Macy.
- Onde assistir em Portugal: plataforma de streaming Netflix.
