A Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC) acaba de reforçar a capacidade científica nacional na luta contra as espécies invasoras, com a instalação de uma nova estação de quarentena ou confinamento para realização de testes com insetos, ampliada e com mais-valias relativamente à anterior. Esta será uma infraestrutura científica dedicada ao estudo e avaliação de agentes de controlo biológico de plantas invasoras, com condições para desenvolver testes com plantas invasoras terrestres (de que são exemplo as acácias, atualmente em floração) e aquáticas (como o jacinto-de-água).
A infraestrutura foi formalmente aprovada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), cumprindo todos os requisitos legais, técnicos e de biossegurança exigidos para este tipo de instalações. Esta aprovação garante que todos os ensaios decorrem sob rigorosos padrões de confinamento, prevenindo qualquer risco de libertação acidental e assegurando elevados níveis de segurança biológica.
Num contexto em que as espécies invasoras constituem uma das principais ameaças à biodiversidade, aos ecossistemas agrícolas e florestais e à própria economia, o controlo biológico assume-se como uma ferramenta crucial para uma gestão mais eficaz, sustentável e duradoura desta problemática. Ao contrário de abordagens exclusivamente mecânicas ou químicas, esta estratégia baseia-se na utilização de inimigos naturais altamente específicos, permitindo reduzir populações de espécies invasoras de forma continuada e com menor impacte ambiental. O desenvolvimento de alternativas ao controlo químico, em particular, é uma prioridade estratégica a nível nacional e europeu podendo o controlo biológico promover soluções sustentáveis e de longo prazo para a gestão de plantas invasoras.
Recorde-se que Trichilogaster acaciaelongifoliae, agente de controlo biológico que forma galhas em acácia-de-espigas (Acacia longifolia), foi, até ao momento, o único agente libertado na natureza em Portugal para controlar uma planta invasora e os resultados obtidos são bastante animadores.
A nova estação permitirá testar, em condições controladas e seguras, insetos candidatos a agentes de controlo biológico, avaliando de forma rigorosa:
- a sua especificidade relativamente às espécies-alvo;
- os potenciais efeitos diretos sobre espécies nativas ou de interesse económico;
- a sua eficácia na redução das populações invasoras;
- a segurança ecológica de futuras libertações.
Os projetos científicos desenvolvidos nesta infraestrutura são coordenados pela docente e investigadora Hélia Marchante, especialista em ecologia e gestão de espécies invasoras do Centro de Estudos em Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS – ESAC/IPC), que colidera uma equipa com vasta experiência na investigação e implementação de estratégias mais sustentáveis de controlo. Os projetos nesta área consolidam uma colaboração de longa data, no domínio das espécies de plantas invasoras e seu controlo biológico, com o Centro de Ecologia Funcional – Universidade de Coimbra (CFE – UC), reforçando uma parceria científica que tem sido determinante para o avanço do conhecimento e da prática nesta área em Portugal.
Este investimento está alinhado com as prioridades estratégicas nacionais, nomeadamente com o Plano Floresta 2050, que reconhece explicitamente o controlo biológico como uma das abordagens a integrar na gestão de plantas invasoras. A nova estação de confinamento constitui, assim, uma infraestrutura-chave para apoiar decisões técnicas e regulamentares baseadas em evidência científica e para acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras que respondam a este desafio ambiental crescente.
Com esta iniciativa, a ESAC afirma-se como uma referência nacional e europeia na investigação aplicada ao controlo biológico, contribuindo de forma decisiva para proteger a biodiversidade, reduzir custos de gestão e promover ecossistemas mais resilientes face às invasões biológicas.
