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Ir ao hospital devia ser encontrar o lugar mais seguro, mas é sempre um risco potencial. A pandemia silenciosa das infeções hospitalares é o tema do “Essencial” desta sexta-feira.
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Portugal regista uma média de mais de uma centena de mortes por mês nas últimas décadas, devido a infeções hospitalares.
Estas infeções são um dos grandes desafios da saúde em todo o mundo e parte desse problema prende-se com o uso excessivo de antibióticos.
A automedicação e o consumo desnecessário destes medicamentos em doenças virais provocam uma maior resistência das bactérias e diminuem a capacidade de tratamento.
Nos hospitais, cada internamento torna-se uma espécie de roleta russa, que pode atingir qualquer doente, especialmente os mais vulneráveis.
O caso de Benedito Pacheco
Benedito Pacheco conta-nos como durante meses lutou pela vida, depois de ter tido contacto com uma bactéria durante um internamento hospitalar devido a um acidente.
Estava a trabalhar na parte elétrica de um reclamo luminoso, quando a escada rodou e caiu. Escapou do imprevisto apenas com um pé partido.
Foram os colegas que o levaram para o Hospital, na madrugada de uma sexta-feira.
Depois de ter passado o fim de semana à espera nas Urgências, chegou o dia da operação. Quando os resultados dos exames chegaram, a decisão de avançar para uma cirurgia teve de ser alterada.
“Não fui operado. Meteram-me, mandaram-me para ali, para um lado, e para o outro, e eu ali, pronto, não. Na cama, nunca me disseram nada. Mas não sou operado. Depois disso, não, não sou operado. Depois é que me disseram que eu não poderia ser operado. Porque apanhei uma bactéria”, partilha.
Sem ver grandes melhoras de dia para dia, diz que questionou os profissionais de saúde que o acompanhavam sobre o que lhe tinha acontecido.
A infeção obrigou-o a passar três meses no isolamento do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Portugal lidera ranking da UE de infeções hospitalares
O que aconteceu a Benedito, acontece a um em cada dez doentes internados. Portugal é o país da União Europeia com maior incidência estimada de infeções hospitalares.
Contactámos a Direção-Geral de Saúde e o Ministério da Saúde sobre o que está planeado para diminuir o número de infeções nos hospitais, mas não obtivemos esclarecimentos.
Doentes em macas nos corredores, equipas reduzidas e excesso de trabalho levam a que os procedimentos para evitar infeções deixem de ser prioritários.
As contas para diminuir custos não têm estado a ter em conta os custos maiores provocados pelas infeções hospitalares.
Quem é que está a ser responsabilizado por isso? Quem é que deve ser responsabilizado por isso?
São perguntas “Essenciais” para as quais estão a faltar respostas.
- Veja aqui mais epiódio do “Essencial”
Ficha técnica
- Coordenação editorial: Conceição Lino
- Jornalista: Ana Lúcia Martins
- Imagem: Hugo Neves e Romeu Carvalho
- Edição de imagem: Daniel Fernandes
- Produção: Iara Filipa Silva
- Grafismo: Isabel Cruz, Sara Almeida, João Vaz Oliveira, Rui Silva, Rolando Arrifana e Walid Saleh
- Colorista: Gonçalo Carvoeira
