Inén Muálá Zuntá Món (muitas mulheres juntam as mãos, em língua forra, crioulo de São Tomé) pretende ser “um grupo de autoajuda”, que recorre a pessoas “que já sabem como é que se acede a todos os papéis para a legalização, como é que se fazem as inscrições na habitação social”, para “ir tentando trabalhar para chegar a alguma”, explicou à Lusa Maria João Costa, da Habita – Associação pelo Direito à Habitação.
Na marcha do Dia Internacional da Mulher, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, circularam panfletos dando conta do novo grupo, que rejeita: “Nem mais uma família sem casa, nem mais uma família separada por falta de condições habitacionais”.
Entre quem os distribuía estava Ana Paula dos Santos, que lhe serviu de inspiração. Faz hoje um ano que esta mulher, na altura grávida, deu uma entrevista à Lusa para dizer que temia que lhe tirassem o filho que estava prestes a ter porque vivia numa pensão da Segurança Social, depois de ter sido alvo de despejo.
A associação Habita, que acompanhava o caso, relatou na altura que essa era uma ameaça comum a outras mulheres em situações semelhantes.
A esse propósito circulou uma petição, assinada por mais de 1.000 pessoas e 59 coletivos, que denunciava a retirada de crianças a famílias que não conseguem ter acesso à habitação.
“Conseguimos impedir o pior nessa altura”, lembra Maria João Costa, saudando a “grande vitória que foi não separar uma família”, ou seja, obrigar o Estado a “reconhecer oficialmente que o apoio que se dá a uma família não passa por separá-la”.
Porém, “neste momento, é preciso voltar a chamar este assunto para a discussão”, desde logo porque as associações foram sendo abordadas por outras pessoas com casos parecidos.
“Há muitas mães nestas condições”, bem como pessoas que vêm para Portugal por razões de saúde, para receberem tratamentos médicos, e ficam “de pés e mãos atados”, refere Maria João Costa.
O novo grupo de trabalho junta Habita, Vida Justa, Rede 8 de Março, UMAR e Grupo de Teatro do Oprimido, que estão a recolher assinaturas para a carta “Nem mais uma família sem casa”, que tencionam entregar ao Governo este mês.
“Habitar condignamente é um direito, não um luxo”, reivindicam.
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