Uma startup britânica do setor espacial está a desenvolver uma tecnologia para capturar satélites inativos que poderá dar origem a uma nova indústria de manutenção e reabastecimento de naves espaciais em órbita.

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A empresa britânica ClearSpace diz que o sistema poderá tornar as operações no espaço mais sustentáveis e, a longo prazo, reduzir os custos das missões.
A tecnologia foi concebida para capturar satélites que já não funcionam e retirá-los da órbita da Terra.
Segundo a empresa, este tipo de capacidade poderá abrir caminho a novos serviços no espaço, incluindo:
- remoção de detritos orbitais
- inspeção de satélites
- extensão da vida útil de equipamentos
- reabastecimento em órbita
“Imagine que toda a rede de autoestradas funciona há 60 anos sem reboques e que alguém inventa um. Todos diriam que é absurdo, que nunca iria funcionar. Mas parece estranho apenas porque ainda não estamos habituados a esta mudança”, disse o cofundador e diretor executivo da ClearSpace, Luc Pigue, numa entrevista à Reuters..
Segundo o responsável, o objetivo da empresa vai além da criação de uma tecnologia específica.
“O que estamos a construir não é apenas uma empresa, mas uma indústria inteira de serviços que poderá transformar a forma como operamos no espaço”.
Missão para remover satélites inativos
A empresa está a desenvolver uma missão no âmbito do programa de remoção ativa de detritos da agência espacial do Reino Unido.
O objetivo é capturar dois satélites que já não estão operacionais e que se encontram em órbita baixa da Terra.
Na missão proposta, uma nave espacial aproximar-se-ia dos satélites inativos e guiá-los-ia para a atmosfera terrestre, onde se desintegrariam durante a reentrada.
Segundo os responsáveis, esta operação poderá ajudar a reduzir os riscos para as redes de satélites que suportam serviços essenciais, como GPS, previsão meteorológica e comunicações de emergência.
A preocupação com os detritos espaciais tem aumentado à medida que a órbita baixa da Terra se torna mais congestionada.
De acordo com a Agência Espacial Europeia cerca de 44.870 objetos espaciais são atualmente monitorizados e catalogados.
Modelos estatísticos indicam, no entanto, que podem existir:
- cerca de 54.000 objetos com mais de 10 centímetros
- cerca de 1,2 milhões entre 1 e 10 centímetros
- cerca de 140 milhões entre 1 milímetro e 1 centímetro
Segundo a ESA, fragmentos com mais de um centímetro podem provocar danos catastróficos em satélites, enquanto partículas ainda menores podem afetar sistemas sensíveis das naves espaciais.
“O número de objetos que colocamos em órbita está a aumentar rapidamente. Se não tivermos um sistema verdadeiramente sustentável, corremos o risco de tornar algumas órbitas inutilizáveis dentro de poucos anos”, afirmou Piguet.
