No Barlavento Algarvio, já se aquecem os fornos para preparar o típico folar de Páscoa. É por esta altura que muitas famílias recuperam receitas antigas e mantêm viva uma tradição que atravessa gerações.
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É um gesto que se repete a cada fornada. Reza-se para garantir que os folares crescem e não passam do ponto.
Manuel fica a guardar o forno enquanto a filha, Sandra, prepara a massa – já perdeu a conta aos serões passados na cozinha.
A receita é a tradicional: erva-doce, raspa de limão, banha de porco e ovos no meio.
Depois, os folares são colocados numa folha de palma, um ritual antigo, típico das aldeias do Barlavento Algarvio, e que os distingue dos demais.
De março a maio, não há mãos a medir. Sandra chega a atender, sozinha, cerca de uma centena de folares por semana. Alícia também já lhe segue os passos.
Está longe de ser um ganha-pão, mas as encomendas de Páscoa são uma ajuda importante para muitas famílias de Lagos e arredores. Acima de tudo, não querem deixar morrer este costume.
Mais do que um doce de Páscoa, o folar é um símbolo de partilha e uma tradição que continua a ter lugar marcado à mesa.
