Portugal

Sucedem-se homenagens a português que morreu na Suíça. "Sempre a ajudar"

O português que morreu no incêndio de um autocarro na Suíça continua a receber homenagens. Albino R. era muito acarinhado no país, para onde tinha emigrado para dar uma vida melhor aos filhos.

Além da filha, Liliana Gomes, que já fez várias publicações sobre o pai, são muitas as pessoas que elogiaram a postura do motorista, que morreu enquanto trabalhava.

Na passada terça-feira, Albino R., de 63 anos, entrou ao trabalho ao 12h, horas locais. Devia ter saído às 20h30 mas, na sua penúltima viagem, quando conduzia o autocarro de Guin para Chiétres, um homem imolou-se no interior do mesmo, provocando a sua morte e de outros cinco passageiros, em Kerzers.

De acordo com o site Watson, o português trabalhava há dois anos e meio para a Wielandbus, empresa que opera a linha em nome da PostBus. O proprietário, Philipp Wieland, foi imediatamente até ao veículo incendiado e, de seguida, com uma equipa de apoio psicológico até casa da família de Albino.

Nessa altura, assistiram em direto às notícias. Na esperança que Albino tivesse sobrevivido, mas isso acabou por não acontecer.

Na manhã seguinte, na garagem da empresa, Philipp Wieland informou os funcionários da tragédia. 70 funcionários estavam presentes e todos quiseram cumprir os seus turnos, apesar de lhes ter sido dada a oportunidade de recusar trabalhar naquele dia.

“Estavam convencidos de que Albino teria tomado a mesma decisão. A sua disponibilidade era lendária”, contou Philipp Wieland.

“Ele trabalhava sempre com um sorriso e cumprimentava a todos com uma palavra gentil”, contou.

Apesar disso, durante a manhã, um dos motoristas acabou por pedir para parar. Não aguentava mais. “Poderia ter acontecido comigo também”, admitiu à empresa, visivelmente afetado.

“Conduzir autocarros sempre foi o sonho dele”

Albino teve muitos empregos. Foi pintor de carros, motorista, montador de casas de madeira e camionista. Devido a problemas no joelho, acabou por se tornar motorista de autocarro. Ao Watson, o filho, Leandro explicou que isso sempre foi “o sonho dele”. “O trabalho era muito importante para ele. Ele adorava interagir com os passageiros”, revelou.

Para o jovem, na noite fatídica, o pai terá tentado ajudar os passageiros e acabou por não sobreviver.

Ao mesmo jornal, Leandro explicou que, apesar de ter vivido a maior parte da sua vida na Suíça, Albino nunca quis se naturalizar cidadão suíço. “No seu coração, ele continuava a ser português”, revelou, acrescentando que o pai previa reformar-se em 2027, “para passar mais tempo com os cinco netos em Portugal e na Suíça”.

O português envolvia-se em tudo o que podia. Quando os filhos eram pequenos, pertencia à direção de pais. Treinava a equipa juvenil do clube de futebol local e era árbitro da Associação de Futebol de Friburgo. Apitava jogos da segunda divisão.

Era adepto ferrenho do Benfica, fazia questão de assistir todos os jogos e era “muito barulhento” quando o fazia. “Não sei como vou lidar com o silêncio em frente à televisão agora quando der os jogos do Benfica”, confessa, em lágrimas o filho.

Em Portugal, pai e filho costumavam pescar juntos. “Não conversávamos muito, mas era justamente isso que tornava aqueles momentos especiais”, revelou ainda o jovem.

“Era o pilar da comunidade portuguesa”

Albino também era muito ativo na comunidade católica portuguesa e trabalhava como sacristão na igreja de Morat. Durante as missas – rezadas em português – era o braço direito do padre, entregando-lhe o vinho e o pão. A ex-presidente da comunidade portuguesa local, Zita Schroeter, disse mesmo: “Ele sempre foi prestativo, era o pilar da comunidade. Não consigo imaginar como vamos seguir em frente sem ele”.

Na sexta-feira, 14 autocarros circularam pela região com uma fita em sinal de luto, em todas as rotas onde Albino fazia. Um dos colegas acabou mesmo por declarar aos jornais locais: “Albino foi um verdadeiro comandante. Não abandonou o seu navio. Ele manteve o rumo até o último suspiro”.
 
Os colegas de Albino têm recebido flores e cartas dos passageiros, em solidariedade para com a sua dor.

No último adeus ao português querem ir fardados e prestar-lhe a devida homenagem.

Depois das cerimónias fúnebres, que serão celebradas na Suíça, os restos mortais de Albino deverão seguir para Portugal, onde serão sepultados na sua terra Natal, em Santa Maria da Feira.

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